A badalada Punta del Este mantém o charme europeu
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terça-feira, 03 de maio de 2005
Laura Diniz<br> Agência Estado 
Punta Del Este - Um arzinho europeu a duas horas e meia de avião de São Paulo. Um lugar charmoso onde as casas não têm muros nem cercas, mas têm nome Calixto, Viento Blanco, Água Viva, Casa Melody e muitos outros. Assim é a uruguaia Punta del Este, um dos balneários mais glamourosos da América do Sul.
A península, localizada numa zona de transição entre o Oceano Atlântico e o Rio da Prata, divide as praias em duas categorias: de um lado da cidade está a Brava, com fortes ondas do mar, e, do outro, a Mansa, com as marolas do rio. O sol não é muito forte e a água é gelada.
Quando o verão acaba, as praias ficam praticamente desertas. O bar na frente do posto salva-vidas da Barra de Maldonado, um dos bairros de Punta, só abre durante três meses do ano: dezembro, janeiro e fevereiro. ''Fora da temporada, o movimento não compensa nem para pagar funcionários'', diz o salva-vidas Hernan Pascal, de 26 anos. ''Com exceção dos bares perto do porto, todos são assim em Punta, só abrem no verão'', afirma ele, que, sem turistas para vigiar, usa o tempo livre para nadar e estudar Educação Física.
A matemática dos empresários é compreensível. A cidade, de cerca de 10 mil habitantes, recebe 250 mil turistas na alta temporada. Em janeiro, demora-se meia hora para andar quatro quilômetros nos trechos mais badalados.
Mas nem só das praias depende o encanto de Punta del Este. Um simples tour pela cidade já é bastante agradável. Os prédios são baixos e as casas, de estilo clássico. Há passeios interessantes, como seguir para a Ilha dos Lobos, habitada pela maior colônia de lobos-marinhos da América do Sul e por focas.
Turista que é turista também não resiste a tirar uma foto no monumento Mano de La Playa Brava, do escultor chileno Mario Irarrazabal. É como se fosse uma mão gigante emergindo da terra. Os dedos simbolizam as cinco nações do Cone Sul Brasil, Uruguai, Paraguai, Argentina e Chile.
Segundo o salva-vidas Pascal, as pessoas estão se distanciando cada vez mais do centro da cidade. ''Agora, a moda é ir para Barra de Maldonado, mas já há grupos mais seletos indo para José Ignácio, um pouco mais para a frente, que logo será a nova onda.''
No caminho do centro para Barra, a Ponte Ondulada é, ao mesmo tempo, parte da infra-estrutura e ponto turístico. A ondulação é formada por uma grande rampa curva seguida de um declive acentuado. Guardadas as devidas proporções, se o carro passa rápido, o passageiro sente aquele arrepiozinho de descida de montanha-russa.
O espanhol falado em Punta é totalmente compreensível até para quem nunca fez uma aula do idioma. Em algumas horas, o turista já se acostuma com o ''Hola, qué tal?'' local.
Pela proximidade geográfica, brasileiros e argentinos são figurinhas carimbadas por lá. A influência é tamanha que a TV a cabo inclui quase todos os canais abertos do Brasil. Simpáticos e craques nos nomes de personagens, muitos uruguaios se inspiram nas novelas para puxar papo com os brasileiros.


