A Babel do Bate-Papo
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terça-feira, 01 de julho de 1997
André Bernardo TV Press 
Ilustração: Arionauro/Carta Z NotíciasDe um lado, um entrevistado com algo supostamente interessante para contar. De outro, um entrevistador supostamente ágil, capaz de extrair de um personagem sem tanto brilho uma conversa aprazível e inteligente. Na medida em que o formato vai se banalizando, os talk shows vão sendo acusados de ceder espaço a entrevistadores sem carisma e entrevistados desinteressantes. Apesar das críticas, Bóris Casoy surpreendeu ao anunciar que a transferência para a Record foi encorajada pela decisão de apresentar um talk show semanal, nos moldes do apresentado por Larry King na CNN. De quebra, Leila Richers, da CNT, e Salomão Schwartzman, da Manchete, também estréiam uma nova safra de talk shows em julho.
Para Diléa Frate, diretora do Jô Onze e Meia, não existe explicação metafísica para a proliferação desenfreada de talk shows na tevê brasileira. É natural que queiram fazer igual. E o formato deu certo porque é barato!, acredita. Com quase 30 anos de jornalismo, Bóris Casoy também acha que não há muito o que inventar em talk show. Mas ressalva que o sucesso depende da empatia entre entrevistador e telespectador. Estaria mentindo se dissesse que o meu talk show será diferente dos demais. O que pretendo é levar o meu apartidarismo para o programa, salienta.
Da mesma forma que Bóris Casoy, Leila Richers, ex-apresentadora do Jornal da CNT, é outro exemplo de jornalista que não hesitou em trocar a bancada de um telejornal pela poltrona de um talk show. Para encurtar ainda mais a distância entre entrevistador e telespectador, Leila quis que o Programa Leila Richers fosse ao vivo, para que o público possa telefonar e fazer perguntas ao entrevistado ou dar sugestões de pauta. Mas a apresentadora concorda que a principal diferença entre um talk show e outro é a personalidade do entrevistador. A receita do bolo continua sendo a mesma. O que muda é o recheio, compara.
Considerado, aos oito anos, o mais antigo talk show da tevê brasileira, o Jô Onze e Meia continua registrando uma média de audiência em torno dos 13 pontos no ibope. Apesar das críticas que o acusam de falta de fôlego ou de desgaste. Diretora e redatora do programa, a jornalista Diléa Frate rebate as críticas e diz estar satisfeita com o desempenho do Jô Onze e Meia, que ganhou recentemente pesquisas e reportagens de rua feitas pelo próprio apresentador para dar mais interatividade. Para ela, o segredo da longevidade do programa é convidar de garis e guardadores de carros a artistas e presidentes. O leque de convidados tem de ser aberto para assegurar a renovação do programa. Isso faz com que ele não se esgote nem se repita, defende.
A bem-sucedida onda cover desencadeada pelo Jô Onze e Meia, por sua vez adaptado de David Lettermans Show, encorajou a jornalista Diléa Frate a aceitar o convite para dirigir e roteirizar Mulher Invisível, programa de entrevistas apresentado e co-produzido pela atriz Carolina Ferraz na GNT. Seguindo à risca a estratégia de Diléa Frate de dar voz ativa ao telespectador, Carolina ressalta que 99% das 60 mulheres entrevistadas nos cinco episódios são desconhecidas do público. Procuramos convidar pessoas comuns justamente para facilitar a identificação por parte do público de casa, analisa.
Decididos a provar que talk show não é um formato em vias de extinção, os integrantes do Casseta & Planeta, Urgente! confirmam para o mês de dezembro a estréia de Papo Casseta na programação de fim de semana da Globo. O talk show será dirigido por José Lavigne e chegou a ser cogitado para a programação de 97. Ficou de fora porque não conseguiu entrar no planejamento comercial da emissora.
Ao contrário dos tradicionais talk shows, Papo Casseta terá sete entrevistadores em vez de um. Para contornar a dificuldade de escolher três entrevistados por dia, Cláudio Manoel, redator final do Casseta & Planeta, Urgente!, defende a periodicidade semanal para o programa. Três entrevistas por dia é demais. Aliás, três qualquer coisa por dia é sempre demais, conclui.


