Antes, as bandas independentes sonhavam ser contratadas por uma grande gravadora. Hoje, muitas delas têm pesadelos de cair de cama só de imaginar-se dentro de uma major.
Circulando pelos palcos alternativos, algumas não passam da gravação da primeira demo, enquanto que outras chegam a lançar até três discos para depois sumir na fumaça dos porões.
Bandas como Betty By Alone, Starfish 100, Violins and Old Books e Objeto Amarelo não tocam em rádio e nem aparecem na TV. Mas são familiares a uma cena que não para de crescer movimentando shows, festivais e selos em várias regiões do país.
Todas lançaram CDs na última temporada. Betty By Alone é de Maringá (PR). Surgiu há dois anos colocando canções na internet. Para divulgar o site do grupo, fizeram um show num bar da cidade. ''Foi um show memorável, com excesso de álcool e 10 pessoas de público, sendo que todas gritavam 'Toca Raul!' no intervalo entre as músicas'' conta o guitarrista Fernando Fadini no bem-humorado texto de apresentação da banda.
O CD veio depois. Batizado ''44 26 51'', reúne sete faixas marcadas por vocais melodiosos e alternância de suavidade e distorção nas guitarras. Se lembram Ride e Teenage Fanclub em faixas como ''We didn't Go On'' e ''Missing Something'', remetem a Foo Fighters em ''Another Love Song'' e ''Guess Who'', além de enveredar pelo folk pop e alt.country em ''It's Hard to Keep Distance'' e ''Anymore''. Betty By Alone já está gravando o segundo disco.
De São Paulo, vem o Objeto Amarelo, projeto-de-um-homem-só de Carlos Issa. Seu segundo CD, ''Panzertunel'', desconcerta os tímpanos com experimentalismos eletrônicos de estúdio reunindo nada mais e nada menos do que 38 faixas. Lançado pelo selo Bizarre, braço fonográfico da loja homônima, o álbum foi gravado em um portaestúdio caseiro de quatro canais. No ano passado, Issa tocou no bar Todas as Tribos, em Londrina.
No show, lembrou o noise minimalista da banda (já extinta) Loop, particularmente pelos acordes repetitivos de guitarra. No disco, porém, a referência soa distante diluída em meio a vinhetas, colagens de tapes e intervenções sonoras variadas repletas de ruídos, microfonias, teclados de brinquedo, batidas programadas e vocais que lembram vozes de personagens de desenho animado. Objeto Amarelo promove a anti-canção.
Também da capital paulista, o Starfish 100 segue uma linha mais acessível do espectro indie. O grupo foi formado há dois anos inspirando-se no pop inglês de bandas como Oasis, Charlatans e Boo Radleys, nas quais a busca pela melodia redonda prevalece sobre pretensas vanguardices. No repertório de estréia, sobressaem as faixas ''Far Away'', ''Sink'', ''Stuck'' e ''To Find You'' (esta com participação de uma afinada Olivia nos vocais).
Outra surpresa da temporada é a banda Violins and Old Books, de Goiânia, que está lançando o EP ''Wake up and Dream''. O material, gravado de forma independente, chega às lojas com distribuição pelo selo Monstro Discos. Traz 7 faixas pontuadas por uma melancolia diretamente influenciada pelo grupo britânico Radiohead. As semelhanças surgem em melodias, nas guitarras climáticas e até nos falsetes do vocalista Beto Cupertino.
A canção de abertura, ''Casualties'', destaca-se apresentando arranjos delicados para cordas e piano. Um segundo disco já está a caminho, dessa vez com letras em português.
Serviço:
-''Panzertunel''. Banda Objeto Amarelo. Contatos: objetoamarelo@ bizarremusic.com.br ou (11) 3331-7933.
-''Wake up and Dream''. Banda Violins and Old Books. Contatos: [email protected] ou (62) 282-8969.
- ''44 26 51''. Banda Betty By Alone. Contatos: [email protected]
- ''Starfish 100''. Banda Starfish 100. Contatos: [email protected] ou
(11) 5083.5689.

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