A aventura de levar música ao Brasil inteiro
Maria Bortoni não pensou duas vezes. Em 81, ao saber do interesse dos diretores da empreiteira responsável pela construção da Hidrelétrica de Tucuruí em levar o Projeto Pixinguinha ao local, embarcou no primeiro vôo Rio-Belém. E sobrevoou outra hora e meia a floresta amazônica para verificar a possibilidade de levar um grupo de artistas a um local tão distante. ''Cheguei a pensar que se o avião caísse não amassaria a copa das árvores de tão densa que era a floresta'', relembra. A empreiteira ofereceu infra-estrutura necessária e o show do cantor e compositor Belchior, além da dupla Luli e Lucina, se realizou para um público estimado em 20 mil trabalhadores de várias partes do Brasil contratados para aquela obra gigantesca.
Uma das muitas histórias que Maria coleciona sobre o Projeto Pixinguinha. ''Sabia que ia dar certo porque o Hermínio Bello de Carvalho era respeitado e mantinha bons relacionamento no meio artístico. Outro motivo foi o sólido apoio do Ministério da Cultura'', analisa.
De fato, a credibilidade de Hermínio Bello de Carvalho foi vital, inclusive, para arrebatar artistas contrários à ditadura militar, sob a qual o evento encontrou raríssimo momento de delicadeza financeira, principalmente. ''Nunca houve uma inteferência, um telefonema sequer de Brasília questionando ou fazendo pedidos. Havia autonomia total'', informa Maria.
Maria mantinha relações excelentes com os artistas. No entanto, ela não participava da seleção do elenco, mas quando podia ou era solicitada sugeria o nome de um ou outro para análise da comissão responsável. Djavan e Elba Ramalho são dois exemplos de simpatia à primeira vista. Por coincidência, o primeiro se apresentou numa das vindas do Pixinguinha a Londrina. A cidade recebeu o projeto entre 1980 e 1983, no Cine-Teatro Ouro Verde e foi contemplada, no final do ano passado. Uma nova trupe deverá passar pela cidade neste ano. Data e elenco não estão definidos.
Episódios pitorescos aconteceram como o caso de um cantor e compositor que resolveu tomar um gorós e se atrasou num dos shows , mas não revela maiores detalhes, assim como guardar segredos de sua idade. Vaidosa e ativa ela se esquiva elegantemente quando o assunto é esse. ''Para quê, não é?'', indaga.
Reservada, Maria não esconde boas palavras mesmo para falar do seu amado Projeto Pixinguinha. Não à toa, se comove quando ouve ''As Rosas não Falam'' (que o músico Paulo Moura dedicou a ela, numa de suas passagens a Londrina) e ''Carinhoso''. ''Eu ouvi ao vivo essas canções interpretadas pelos melhores instrumentistas do Brasil'', avisa. (A.M.J.)





