A arte do Grupo CoBrA, que surgiu dos destroços da Segunda Guerra Mundial como um alento de liberdade e reconstrução, ao mesmo tempo que de revolta e horror, será vista pela primeira vez, numa amostragem tão abrangente, no Brasil – 98 obras de 22 artistas –, na Casa Andrade Muricy, de hoje ao dia 31.
A sigla CoBrA é formada pelas iniciais das cidades de Copenhagen, Bruxelas e Amsterdã. A exposição, que já esteve na Pinacoteca do Estado, em São Paulo, reúne pinturas, esculturas, livros, revistas e catálogos que contam a trajetória do movimento. A curadoria é do diretor da Pinacoteca do Estado, Emanoel Araújo, e do presidente da McCann-Erickson Brasil, Jens Olesen. O patrocínio do evento é da Philip Morris Brasil.
Obras de Alechinsky, Appel, Corneille, Atlan, Jorn, Pedersen, Constant. Jacobsen, Heerup e muitos outros, do período entre 1948 e 1951, mostram cores fortes, animais e figuras diferentes, loucos movimentos que a cada dia oferecem uma nova visão, num ambiente atemporal.
Segundo o co-fundador do CoBrA, o artista plástico Corneille, o inverno de 1944–45 foi um dos piores de que tem memória. ‘‘Eu estava escondido no coração de uma cidade coberta de corpos e não havia sobrado ninguém para enterrá-los. A Libertação foi como uma imensa e álacre canção de louvor: liberdade reconquistada! Nós, os jovens artistas, voltamos a trabalhar de novo, com fervor.’’
Em novembro de 1948, na sala do fundo de um café de Paris, perto da Notre Dame, o movimento CoBrA veio ao mundo. Entre os presentes estavam Dotremont, um poeta e escritor de Bruxelas, que foi o responsável pela criação do nome do grupo. Um nome atraente ao ouvido e à imaginação das pessoas, e que evita os ‘‘ismos’’ como em Impressionismo, Expressionismo, Surrealismo e Cubismo.
A primeira grande exposição da arte CoBrA teve lugar no Stedelijk Museum de Amsterdã e o diretor Sandberg arriscou seu emprego quando o evento deu no pior e terminou numa rixa generalizada com todo o público. Contra os artistas foram atirados insultos e o diretor foi chamado à presença do prefeito para justificar-se.
O grito do CoBrA é o veículo de imagens vitais – desejo, natureza e vida. Uma linha que é anti-formalista, em oposição à linha de uma régua ou um compasso. CoBrA é um grito vital – uma brilhante mancha de cor em toda a sua força – como se a mão do artista estivesse gritando contra o formalismo que a mantém como prisioneira. É um grito contra a matéria, na qual o formalismo escravizou o espírito. Tendo por objetivo a maior intensidade possível da imagem e a mais alta unidade de expressão.
Ainda segundo Corneille, o CoBra hoje, depois do Futurismo, permanece como o último grande movimento artístico de reputação internacional que foi engendrado pela Europa, com a intenção de estabelecer a união dos povos e da sua cultura.
Essa energia libertadora e rebelde retirava sua força dos valores tradicionais próprios da infância: a espontaneidade, representada pela improvisação simultânea do espírito e das mãos; a sinceridade que se propunha a mostrar uma visão política e humanística do mundo; e a simplicidade, pelo retorno à arte primária.
O fim da organização de seu em 1951, quando Jorn e Detromont adoeceram em razão da má nutrição e exaustão física. Os demais artistas se recolheram às suas origens ou se radicaram em outras cidades da Europa e da América. Nos anos 60, o grupo foi ‘‘redescoberto’’. Então, muitos dos participantes ganharam o reconhecimento internacional.
Exposição Grupo CoBrA, na Casa Andrade Muricy (Alameda Dr. Muricy, 915), de hoje, às 19h30, para convidados e a partir do dia 3 aberto ao público, de terça-feira a domingo, das 10h às 22 horas, até o dia 31. Ingressos a R$ 3,00 e R$ 1,00 (estudantes), às terças-feiras, grátis; maiores de 65 anos e menores de 7, não pagam.

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