Retratar artistas conhecidos como figuras de palhaços é uma das marcas registradas de Elifas Andreato. Faz parte do que ele pensa sobre arte. ''O palhaço é o emblema de ser artista. É servir o outro mesmo que você esteja triste''. E, para ele, a arte vem da dor e do sofrimento, mesmo que seja a arte de fazer rir. ''Todas as obras de arte importantes saíram da dor e do sofrimento. Não existe obra de arte que saia da alegria e da felicidade.''
Ele mesmo não se coloca no papel de um artista principal, mas de um acessório. ''Eu felizmente compreendi que não era a peça fundamental do trabalho, mas um acessório para as pessoas se interessarem pela obra maior'', afirma, esclarecendo que apenas serve como meio, um veículo condutor. ''Grande é a obra do Chico (Buarque) e eu apenas devo traduzir isso corretamente.''
Para Andreato, os artistas não passam de meros artesãos, que sabem usar de maneira satisfatória certos equipamentos ou linguagens e por isso deveriam ser humildes. ''Todo sujeito que se acha um artista é um pentelho, um chato. Na Renascença, eram todos artesãos, eles não se achavam artistas.'' (L.C.O.)

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