A máquina do mundo pode pifar e todas as galáxias, estrelas e o que mais existe, desaparecer. O planeta pararia ou retrocederia, girando ao contrário. Nesse dia, quem é velho voltaria a exibir a boa forma da juventude. Os que têm barba ficariam imberbes e a natureza recuaria à sua forma original. A vida, envolta em fumaça, se tornaria uma abstração.
O mito do caos fascinou Platão (428-328 a.C.), que não acreditava em Democracia. Para o filósofo, a política era uma arte dos sábios, sócios humanos dos deuses.
Mas da mesma forma que a política é uma arte, a arte também pensa em política. Uma responsabilidade que a classe artística e comunidade londrinense não abrem mão no momento em que as eleições municipais se aproximam.
A maior preocupação é em relação à falta de continuidade dos programas e projetos existentes - inclusive a Rede da Cidadania e o Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), criados na atual gestão.
Este ano, a pasta da Cultura ficou com uma fatia de 7% dos R$ 684,7 milhões do orçamento municipal. A previsão para o ano que vem é de que o mesmo índice seja mantido em cima dos R$ 632 milhões anunciados pela administração. São 90 projetos e 284 oficinas desenvolvidas com os recursos. Uma política cultural que beneficia 6,5 mil em todas as regiões da cidade.
Artistas londrinenses, que estão fora do programa municipal querem que algumas arestas sejam aparadas. ''Espero mais incentivo da parte do município. Não só para a cultura elitizada, mas também para a cultura de rua. O que está sendo feito não é suficiente. O processo de apresentação de projetos ao Promic é muito burocrático. O pessoal que faz arte de rua não tem estudo para fazer um projeto'', afirma o grafiteiro Tadeu Roberto Fernandes de Lima Júnior, o Carão.
Ele conta que pretendia realizar uma exposição em galeria, mas não conseguiu apresentar um projeto à Secretaria Municipal de Cultura. ''Eu não tinha nem como começar a escrever um projeto. Acabei esfriando a idéia'', assegura Carão, que já grafitou muros em Paris, onde morou.
O músico Paulo Siqueira também espera mudanças. Na opinião dele, alguns bons projetos não conseguiram aprovação da comissão de avaliação do Promic. ''Espero que sejam aprovado mais projetos de gravação de CDs. É muito importante que os músicos londrinenses consigam gravar porque é uma maneira de catalogar o trabalho feito em Londrina. Seria como um selo de Londrina e um cartão de visitas da cultura da cidade'', comenta.
O músico ressalta, no entanto, que a criação de um fundo de cultura facilitou o trabalho dos produtores culturais, que não precisam buscar apoiadores. ''Acredito que isso ajuda bastante quem está realizando um projeto. O que precisa mudar é a forma como a verba está sendo distribuída''.
O lendário diretor de teatro, Juarez Rezende Araújo, que já fez parte do Conselho Municipal de Cultura da Zona Oeste, reconhece a importância da criação dos Conselhos, mas aponta que a Conferência Municipal de Cultura não deveria ser organizada pela Secretaria.
''Acho que os conselhos precisam ser independentes. Não dá para ser independente quando a própria Secretaria de Cultura organiza uma conferência municipal. O conselho deveria ficar responsável por isso. Eu não estou fazendo mais teatro em Londrina porque não estou conseguindo. Me preocupo em criar uma estrutura fora para continuar trabalhando''.

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