''Das ruas não vem só malandragem, vem cultura e arte''. Há seis anos seguindo esse lema, o projeto ''A Rua Dança a Cidade'', que tem patrocínio do Programa Muncipal de Cultura, agora está na expectativa para apresentar a coreografia ''Cotidiano'', no 27º Festival de Dança de Joinville, que acontece de 15 a 25 de julho. Único grupo londrinense a participar de um dos maiores eventos de dança da América Latina, serão cinco apresentações nos dias 18 e 19. No total, participam 19 grupos do Paraná, incluindo representantes também de outras categorias de Curitiba, Campo Mourão, Cascavel, Paranaguá, Foz do Iguaçu e Maringá.
Ao todo, o projeto realiza aulas de street dance para 256 alunos, de 7 a 22 anos, em cinco pontos da cidade: Centro Cultural da Zona Norte, Guarda Mirim, Epesmel, Usina Cultural e Espaço Viva Vida, motivando e criando oportunidade para muitos jovens que vivem em situação de risco.
Para Joinville, irão 15 jovens do Centro Cultural da Zona Norte que estão na fase intermediária para o nível avançado. ''A aprovação do nosso vídeo já foi uma grande vitória e é a prova que estamos no caminho certo'', destacou o responsável pelo projeto, o professor de dança Édio Elias Gonçalves.
Há mais de 30 anos dedicando-se à dança, Gonçalves conta que a ideia de montar um projeto que tivesse um foco de prevenção junto aos jovens surgiu após superar o vício das drogas, em 1998. ''Com a minha mudança de vida, tive o sonho de ajudar outras pessoas a melhorarem de vida também. Cheguei até a pensar em montar um grupo de dança formado apenas por 'ex-escórias' da sociedade, mas a coisa foi crescendo e a questão da profissionalização e melhoria da qualidade desse trabalho foi ganhando força'', ressaltou Gonçalves.
Exigente com o desempenho artístico e escolar dos seus alunos - quem tira notas abaixo de 7 não pode frequentar às aulas -, Gonçalves ensina arte, mas também uma nova perspectiva de vida. ''Muitos desses jovens são, na verdade, carentes de oportunidades e busco despertar sonhos, atitudes e objetivos'', acrescentou.
Resistência, flexibilidade, força, fôlego e muita expressividade fazem parte do exercício diário dos alunos, que não escondem o orgulho da aprovação que passou pelo crivo de uma banca julgadora de peso. No ano passado, o grupo foi campeão na categoria amador de dança de rua em um festival realizado em Ibiporã, o que motivou a participação deles em outros eventos da área em Barra Bonita (SP) e Telêmaco Borba (PR).
Bianca Aparecida Pirozzi, 13 anos, pratica street dance há três anos e meio. No início, por estar obesa, conta que sentia muita dificuldade para realizar os movimentos, mas logo entrou em forma e hoje esbanja agilidade. ''Foi minha mãe que me motivou a fazer o curso e hoje não consigo ficar sem'', afirmou.
O colega de dança, Tiago Francisco de Oliveira Cândido, 18 anos, foi convidado há três anos por Gonçalves a participar das aulas e elogia o método do professor: ''O que ele ensina, além da técnica de dança, é para a vida inteira; é como um pai''.

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