A ARTE QUE NASCE DO BARRO
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de setembro de 2000
Elisa Marilia Carneiro De Curitiba 
O 14º Salão Paranaense de Cerâmica abre hoje paralelamente ao 15º Simpósio Paranaense de Cerâmica, numa realização do Museu Alfredo Andersen, em Curitiba. Além da exposição de mais de cem peças, estão programadas palestras, sessões de vídeo e oficinas, amanhã e no sábado.
Considerado um dos únicos movimentos de incentivo à cerâmica como arte contemporânea, o Salão reúne artistas plásticos nacionais que estarão promovendo um intercâmbio de experiências e aperfeiçoamento aos profissionais que atuam nessa área.
Mesmo sendo uma prática milenar, a cerâmica, no Brasil, está muito associada ao folclore e ao artesanato. Segundo a artista plástica Delma Godoy, do Rio de Janeiro, só há cerca de dez anos a cerâmica está sendo prestigiada inserindo-se no contexto das artes plásticas. O artista se expressa por intermédio de um material, no nosso caso, é a cerâmica, afirma.
Para a artista plástica curitibana Liz Szczepanski, só o povo que tenha dominado a cultura da cerâmica pode ser considerado avançado. Os trabalhos em cerâmica são o grande marco do domínio dos elementos terra, ar, fogo e água. Por isso, a cerâmica é insubstituível e acompanha a formação do pensamento do homem e a sua compreensão de mundo.
O programa do simpósio abre com um café da manhã, às 9 horas. Em seguida, a artista plástica Maria Helena Saparolli faz uma palestra sobre o tema Ceramic Millenium, e a artista plástica chilena, residente no Rio de Janeiro, Mariana Canepa coordena a projeção do vídeo Imagens do Silêncio.
Às 14 horas terá início a série de oficinas. A Cerâmica como um Suporte Contemporâneo é o tema da oficina ministrada pelo artista plástico de Belo Horizonte, Máximo Soalheiro. Um dos mais respeitados ceramistas brasileiros, Soalheiro vai apresentar uma amostragem do trabalho de 24 anos iniciados na construção de tijolos e telhas fabricadas em olarias, além de resultados técnicos da arte cerâmica, como a cor, a textura, brilhos e opacidades como qualidades vitais.
Durante a aula prática ministrada pela artista plástica de Foz do Iguaçu, Maria Cheung, os participantes vão construir um painel coletivo executado com lajotas, com o auxílio de bastidores, interferência na argila com texturas, recortes e aplicação de engodes.
Dema Godoy, artista carioca, orienta a oficina que tem como tema Terra Refratária, visando a investigação de uma nova possibilidade plástica das massas cerâmicas em resposta a uma inquietude pessoal e ao panorama pouco atrativo do mercado industrial.
Cor e Fogo Cerâmica Rakú é o título da oficina ministrada pela artista plástica curitibana Alice Yamamura, mostrando a técnica de queima do esmalte cerâmico. Ela mostra também alguns procedimentos e técnicas básicas de queima da cerâmica rakú, sua história, informações técnicas sobre a argila e formulação da pasta cerâmica. Alice apresenta ainda informações sobre esmaltes para cerâmica, preparação do forno, do objeto para a queima e tratamento de superfícies.
Simpósio Paranaense de Cerâmica, no Museu Alfredo Andersen (Rua Mateus Leme, 336, em Curitiba. Telefone: 041-222-8262), de hoje a sábado, das 9 às 12 horas e das 14 às 18 horas. Hoje, logo após a abertura do Simpósio acontece a palestra Ceramic Millenium por Helena Saparolli. A programação conta ainda com a oficina A Cerâmica como Suporte Contemporâneo por Máximo Soalheiro; painel por Maria Cheung, as oficinas Terra Refratária, por Delma Godoy e Cor e Fogo - Cerâmica Rakú, por Alice Yamamura. Inscrições a R$ 30,00.


