A arte que expõe o inconsciente
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de junho de 1998
Elisa Marilia Carneiro 
As pessoas com diagnósticos de esquizofrenia conseguem, através da pintura, transmitir a imagem do inconsciente. E muitas vezes essas imagens são semelhantes a outras, encontradas em sítios arqueológicos espalhados em diversas região do mundo. Os trabalhos dos internos do Centro Psiquiátrico Pedro II, no Rio de Janeiro, que já foram mostrados em várias cidades do país, estão expostos na Galeria da Caixa Econômica Federal em Curitiba.
A mostra, Museu de Imagens do Inconsciente e Arqueologia da Psique, fica aberta de hoje até o dia 30 de julho. Sob a curadoria de Luiz Carlos Mello, a exposição reproduz a história do museu desde 1946, reunindo 40 trabalhos de pacientes internados no Centro Psiquiátrico Pedro II.
O acervo do museu, hoje com mais de 300 mil obras de aproximadamente 50 artistas esquizofrênicos, é considerada por profissionais da área e por médicos psiquiátricos uma das mais belas e raras do mundo, além de contribuir com os estudos científicos para o tratamento dos pacientes.
De acordo com Gladys Schincariol, coordenadora de projetos do Museu, a experiência começou com atividades terapêuticas. A pintura e a modelagem são meios de saber o que se passa no mundo interno dos doentes. A interpretação desses trabalhos ajuda nos tratamentos, afirma.
O paralelo entre as pinturas dos doentes mentais e as encontradas em sítios arqueológicos comprovam a teoria do psiquiatra Carl Jung, sobre a existência de um inconsciente coletivo. Jung acreditava que todos os seres humanos carregavam uma estrutura psíquica herdada, uma memória ancestral. Os esquizofrênicos conseguem reproduzir essas imagens do inconsciente por não terem bloqueios culturais. Os que não são doentes mentais, sonham com essas mesmas imagens e muitas vezes não as compreendem, diz Gladys.


