Tarquinia (Itália) - O pintor Roberto Matta, que morreu sábado aos 91 anos, foi enterrado ontem em sua casa em Tarquinia, perto de Roma, após uma cerimônia fúnebre na pequena igreja medieval da Anunciação.
Cem personalidades do mundo da cultura e da arte, tanto européias como latino-americanas, prestaram homenagem ao artista chileno, o ''último surrealista''.
Matta, que residia na cidade etrusca há mais de 30 anos com sua terceira esposa, Germana Ferrari, foi sepultado com doces tradicionais chilenos, símbolo da saudade que sempre conservou por seu país, que visitou poucas vezes após sua partida aos 22 anos.
Seus quatro filhos, Pablo, Federica, Ramuntcho e Alisee, estavam presentes.
Matta, que não só era chileno, mas tinha as nacionalidades francesa, cubana e espanhola, poucos dias antes de morrer inaugurou uma exposição em Roma com pinturas criadas em 2000.
Educado pelos jesuítas, Matta deixou em 1934 o Chile indo para Paris, onde se tornou um discípulo do arquiteto suíço Le Corbusier.
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) viveu em Nova York assim como Breton, Max Ernst, André Masson, Miró, Tanguy, Léger e Mondrian, descobrindo os expressionistas abstratos Motherwell e Pollock.
Militante de esquerda, entusiasmou-se com a revolução cubana, e cortou todos os laços com o governo do ditador chileno Augusto Pinochet (1973-1990).
Durante sua última visita ao Chile, em março de 1973, pintou dois murais nos bairros populares de La Granja e La Cisterna, em Santiago, que foram destruídos depois do golpe militar contra o presidente constitucional Salvador Allende (11 de setembro de 1973).

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