A arte onde o público está
Paulo WolfgangO recém-inaugurado
Café Deck já transformou-se
em espaço de arte alternativoTodo artista tem que ir aonde o público está, já cantava Milton Nascimento. Seguindo esta filosofia algumas casas noturnas e bares de Londrina estão abrindo espaços alternativos para artistas mostrarem seus trabalhos ao público. É o caso do Empório Guimarães, do Vila Fontana e do Deck Café.
A idéia não é nova. Nos grandes centros como Rio de Janeiro e São Paulo já é comum a existência destes espaços alternativos. Em Londrina mesmo, empresas já abriram as portas para a exposição da arte, como a Igapó Veículos, o Espaço Cultural do Banestado e do Banco do Brasil, e lugares de lazer como a casa de Chá Jasmim, entre outros.
Há pouco mais de um ano os londrinenses que não estão acostumados a frequentar exposições têm se deparado com o trabalho de artistas plásticos e fotógrafos, também em bares e casas noturnas. O Empório Guimarães, por exemplo, já foi inaugurado com esta proposta. Durante um ano o artista plástico José Gonçalves expôs suas obras lá.
Na opinião dele este tipo de espaço serve mais para divulgar o trabalho do artista do que para comercializá-lo. Já o proprietário do Empório, Alexandre Fontana Guimarães, afirma que muitos trabalhos são vendidos nestas exposições, até para pessoas que não moram na cidade.
Muita gente de fora, quando vêm a Londrina, visita o Empório e acaba se interessando pelas obras, diz. Ele cita o caso de Otávio Mesquita que quando esteve no Empório quis comprar três obras de José Gonçalves. O Deck Café, inaugurado em novembro último, também tem um espaço para a exposição de artes plásticas e fotografia.
Paulo WolfgangAlexandre Guimarães,
sócio do Empório: muitos trabalhos
são vendidos nestas exposições
Bom para todosFernando Moya um dos proprietários do Deck Café afirma que abrir este espaço para a arte, é bom para o artista, o público e para a casa. O artista vê o seu trabalho divulgado, o público tem contato mais acessível com a arte e a casa fica mais movimentada, afirma. Outra vantagem, segundo ele, é que as pessoas que são fotografadas gostam de ser ver.
Hoje no Deck Café é possível ver obras de José Gonçalves e um editorial do fotógrafo Mário César e da jornalista Rosângela Vale. No Empório Guimarães quem está expondo é a artista plástica Regina Menezes.
Na opinião dela os espaços alternativos também são importantes para a democratização da arte. Mas, segundo ela, deve-se saber que existe um contexto em que há toda uma cadeia de exposição de artes que inclui os salões e espaços oficiais e eventos, onde são mostradas as tendências. Os espaços alternativos são apenas um elo desta cadeia, afirma.
Regina Menezes afirma que está muito em voga os empresários assumirem a postura de difusor e promotor cultural, e considera isto muito louvável. Mas ela faz uma ressalva: É importante tomar certos cuidados para que a arte seja popularizada e não banalizada, diz.
Estes cuidados devem ser tomados com relação ao espaço que são destinados para a exposição das obras. Segundo ela, tem que se verificar se este espaço é apropriado quanto a iluminação e se as obras não irão disputar a atenção do público com folhagens, caixa de luz, extintor de incêndio e outros objetos.
Se a pessoa está numa fila de banco, por exemplo, e ela olha para uma parede que tem folhagens, caixa de luz e uma obra, ela irá olhar para a obra com o mesmo olhar com que olha para os outros objetos, exemplifica. Isto, segundo a artista plástica, banaliza a arte. Para mim a arte é alimento para o olhar e para a sensibilidade e por isso deve ser acessível a todos, diz. Mas sempre com o cuidado de não banalizar a obra, para não perder a finalidade de educar o olhar do público para a arte.
Para cumprir o objetivo de levar a arte para todo tipo de público e inseri-la no cotidiano das pessoas, segundo Regina de Menezes, os espaços públicos são mais eficientes do que os alternativos. Só que Londrina tem uma carência grande de espaços públicos, afirma.
Regina Menezes cita o exemplo de Bremen, na Alemanha, onde existem obras de artistas por toda a cidade. As crianças brincando no parque, convivem com esculturas famosas, afirma.





