A arte mais perto das pessoas
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segunda-feira, 21 de dezembro de 1998
ReproduçãoObra de Velma MatosCláudia Romariz Especial para a Folha2 
A arte é uma interpretação pessoal. Só tem sentido quando é vista e contemplada. Quem afirma é o artista plástico Henrique Aragão, um dos expositores da 1ª Mostra de Tendências da Arte Atual, que vai expor trabalhos de 40 artistas de Londrina e região, nos mais variados estilos, de hoje até quinta-feira, das 14 às 22 horas, no Centro de Eventos do Armazém da Moda. O público poderá conferir obras em diversas técnicas - metais, esculturas, cerâmicas, gravuras e pinturas, num total de quase 100 peças. Muitos trabalhos são inéditos.
ReproduçãoTrabalho de Yoshia NakagawaraA importância do evento, segundo a coordenadora, Mercedes Avila Garcia, do Armazém da Moda, está na aproximação entre os objetos de arte e as pessoas. É uma forma de facilitar o acesso da população à arte. Com trabalhos de vários artistas juntos, as pessoas terão opções para conhecer a arte expressada em diferentes estilos, afirma ela
A Mostra, que é promovida em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura, Casa de Cultura e Associação Cultural Banestado, vai destinar dez por cento do que for vendido pelos participantes para a Apae. A intenção do Armazém é abrir o shopping para mostras anuais, sempre contemplando uma instituição, salienta Mercedes.
ReproduçãoÓleo sobre tela de Neldy KalauPara Yoshia Nakagawara Ferreira, que leva telas que retratam críticas à globalização, ainda falta um bom caminho para a arte ser democratizada no sentido de estar mais próxima da população. A sociedade em geral não está amadurecida para entender de arte, mas também falta aos artistas compreender que o acesso só começa a ser democratizado com preços mais baixos, afirma.
Cláudio Garcia, que mostra telas a óleo de natureza morta, avalia que a arte está se adequando à economia, mas o público ainda não está habituado a comprar arte. As pessoas em Londrina são muito práticas. É preciso educá-las para que possam enxergar a arte, diz. Os objetos de arte, segundo ele, deveriam estar no dia-a-dia das pessoas para que possam ser contemplados: A arte serve para dar prazer ao mesmo tempo que desenvolve o intelecto - complementa
ReproduçãoEscultura de Agnaldo AdélioJá Henrique Aragão, que leva quadros da série Pantanal, acredita que a falta de acesso da população à arte está degradando a cultura de forma geral. É
a vulgaridade na música, na literatura e nas artes plásticas. A arte verdadeira toca a sensibilidade, afirma. A oportunidade da Mostra, segundo ele, vai sugerir às pessoas que é possível adquirir cultura. E quem sabe,
contribuir também para a elevação espiritual do ser humano.
Para Regina Menezes, que apresenta trabalhos em papéis, Mostras mais populares no sentido de facilitar o acesso do público a peças de arte, é uma tendência: Vemos que empresas e entidades começam a ter uma preocupação cultural e isso é importante tornar a arte mais acessível, disse.
ReproduçãoTela de Sonia Maria da Silva Liaschi1ª Mostra de Tendências da Arte Atual. De hoje até quinta-feira, das 14 às 22 horas, no Centro de Eventos do Armazém da Moda (Avenida Tiradentes, 1.411). Entrada francaQuem participa


