Rubens Pillegi Sá
De Londrina - Especial para a Folha2
A pintura com tinta a óleo marca uma época de grandes descobertas para a humanidade: o Renascimento. Um pintor holandês chamado Jan Van Eyck, aproximadamente em 1430, deixou cair óleo de cozinha sobre sua tela pintada com tinta à base de ovo, chamada de têmpera, e descobriu que as cores ganhavam brilho e demoravam a secar, de modo a tornar-se mais miscíveis entre si, e podiam ser acabadas sem pressa, ao contrário dos afrescos feitos à época, como a própria palavra diz, pintados enquanto o gesso ainda está úmido. A técnica da pintura a óleo passou a ser usada unanimamente pelos artistas, modificando inclusive a representação na pintura. Depois a tinta ganharia embalagens como pequenas bolsas de couro e ainda tubos de chumbo, que facilitaram as descobertas feitas pelos impressionistas a respeito da luz, já que podiam ser transportadas ao ar livre. Daí até a descoberta das tintas acrílicas industriais, que são menos tóxicas, mas também meio emborrachadas, foram-se séculos.
Há vários outros tipos de técnicas em pintura, como a encáustica, feita com cera derretida de abelhas, guache e aquarela também, que é a mais simples e a que mais exige técnica do artista.
Na pré-história, o homem da caverna pintava com sangue, terra ou carvão. E fixava a tinta com gordura animal. Procedimento retomado na vanguarda artística a partir de 1960, em obras de artistas como o alemão Joseph Beuys (1921/1926) e na famosa arte povera dos italianos mais radicais deste nosso século.
Na escultura, os elementos mais tradicionais sempre foram a argila, a madeira, o mármore e o bronze. A argila, aliás, pela sua plasticidade, além de servir como escultura depois de seca e queimada, pode também ser um bozzeto, isto é, um esboço tridimensional de uma peça a ser executada em outra técnica. Ou até como modelo, a ser tirado o molde em gesso, para depois ser fundido em metal.
Até Picasso (1881/1973), a escultura podia ser entendida como um entalhe, quer dizer, matéria retirada para surgir a obra, em mármore ou madeira, por exemplo. Ou uma modelagem, isto é, a obra surgia da adição de matéria, como se faz com a argila. O que ele fez foi soldar canos de ferro entre si e a escultura, assim, passa a se configurar também de outras formas no espaço, como justaposição e encaixes.
Mas foi a partir do movimento Dadaísta e também de um francês, Marcel Duchamp (1887/1968), que a confusão se instaurou de vez no mundo das artes plásticas, se transformando num verdadeiro jogo de xadrez. E a arte passaria então a agregar valores sociais e éticos. Falando de si, inclusive com ironia. Duchamp investiu contra o próprio sistema da arte, enviando urinóis a salões de arte e inventando um modo diferente de pensar a arte diante dos acontecimentos.
A arte passou a ser feita não só de materiais visíveis, mas também de conceitos. Obras invisíveis, perecíveis, que podiam ser explicadas por textos, por fotos. Arte feita de idéias.
O happening e as performances surgiram também nos anos 50, 60, feitos para promover ações em museus e galerias. Às vezes até contra as instituições que os abrigavam. Além deles, a body art, movimento artístico surgido também naquela época, faz do corpo suporte, e o transforma em tela, campo experimental, por excelência, das sensações. Enfim, a arte invadiu todos os meios, usando todos os materiais, inclusive o pensamento.
Desde então a arte pediu ao espectador que se relacionasse com a obra, que deixasse a passividade, que interviesse e participasse também do processo artístico. Assim como o pintor fazia óleo sobre tela, a arte podia ser algo como olho sobre papel impresso, assim como agora faz você, leitor, lendo este texto sobre materiais e técnicas artísticas. E esse entendimento, essa troca, é mais importante do que qualquer material utilizado em arte.

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