A arte em reflexão
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terça-feira, 11 de novembro de 1997
Zeca Corrêa Leite Curitiba 
Kraw PenasUiara Bartira com monotipia do artista pernambucano Rinaldo José da SilvaCuritiba vai sediar um grande acontecimento nas artes plásticas, que visa pensar e repensar a gravura. Promovido pela Fundação Cultural de Curitiba vem aí, a partir do dia 18, o projeto Brasil Reflexão 97 - A Arte Contemporânea da Gravura, que será dividido em duas partes: uma exposição com 166 artistas de todo o Brasil, num mapeamento que atingiu 13 Estados do País e resultou numa exposição de 350 obras e um seminário internacional voltado para críticos e professores de arte.
O projeto Brasil Reflexão 97, que será realizado no Museu Metropolitano de Arte, substitui neste ano a tradicional Mostra da Gravura Cidade de Curitiba, que acontecia regularmente desde 1978, no Solar do Barão, e se transformou nos últimos anos em bienal internacional, envolvendo os países das três Américas. Esta é uma mostra atípica, explicou a curadora Uiara Bartira. O papel desta edição é de servir como uma ponte para uma nova fase do evento.
Pensando a gravura
Kraw PenasObjeto de Marcia Abreu, da Bahia, selecionado para a mostra em CuritibaA contemporaneidade brasileira estará sendo pensada e discutida, no seminário internacional através de três temas: A Importância do Ser Contemporâneo Sob o Ponto de Vista da Antropologia, O Renascimento do Ser Contemporâneo Sob o Ponto de Vista da Estética e O Ser Comprador e a Luz do Ser Contemporâneo Sob o Ponto de Vista do Mercado de Arte. O evento está marcado para os dias 24 a 28, com participação de 31 especialistas palestrantes.
Entre as autoridades no assunto que virão para cá - representantes de museus e de mostras internacionais - confirmaram presença Nadine Orenstein, curadora do Metropolitan Museum of Art, Per Hovdenakk curador do Museu de Arte Moderna de Oslo (Noruega) e Martha Hanna do Canadian Museum of Contemporary Photography. Porém, o nome mais famoso da lista é o de Catherine David, curadora da Documenta de Kassel.
A América Latina estará representada por Mariane Tolentino (República Dominicana) e Alina Tortosa, ambas representando a Associação Internacional de Críticos de Arte; Llilian Llanes Godoy, curadora da Bienal de Havana; Carmen Hernandez, curadora do Museu de Belas Artes de Caracas e o empresário cultural Miguel Enrique Frias, da Argentina.
O Brasil junta-se ao grupo com mais de uma dezena de nomes, como Paulo Herkenhoff, da Bienal de São Paulo, Maureen Bisilliat, do Memorial da América Latina; Olívio Tavares de Araújo, crítico de arte, Lúcia Camargo, que deu origem à mostra e atualmente preside a Rádio e Televisão Educativa do Paraná e Nitis Jacon, reitora da Universidade Estadual de Londrina.
ConversaPara montar a exposição a curadora Uiara Bartira, percorreu 13 Estados brasileiros, tomou contato com a obra de 250 artistas e selecionou os 166 constantes na mostra. Ela define este mapeamento como sendo uma conversa. É como se os pontos cardeais do País tomassem assento numa sala e ficassem palestrando - as produções dos quatro pontos brasileiros estão ali reunidas. Seria uma evolução das exposições anteriores, que ela compara a primeira a uma discussão, a segunda a um diálogo até chegar a esta, que se assemelha a uma conversa.
Kraw PenasOswaldo Gaia, de Belém, mostra em Curitiba a obra Decantação de VenenoPela primeira vez as gravuras deixarão de ser apresentadas no Solar do Barão, para ocupar todos os espaços possíveis do Museu de Arte Metropolitano. A preocupação em aproximar a arte do público está clara. Margarita Sansone, presidente da Fundação Cultural de Curitiba, anunciou o trabalho de monitores que darão orientações acerca das obras.
Sem mídiaUiara Bartira, que depois de morar alguns anos em Curitiba radicou-se no Rio de Janeiro, está na cidade especialmente para a produção do projeto Brasil Reflexão 97 - A Arte Contemporânea da Gravura. Ela afirma que este é o mais importante evento realizado no País, porém não o de maior mídia.
Enquanto as bienais daqui promovem a análise e a reflexão, como acontecerá agora de forma muito mais profunda, e colocando luzes sobre os caminhos a serem seguidos mais tarde, a Bienal de São Paulo é formadora de público. Ela atrai milhares de pessoas, mas falta justamente o aprofundamento de raízes.
Uiara garante que as duas últimas bienais paulistas foram calcadas no trabalho realizado em Curitiba. Para mostrar que fala com conhecimento de causa, a artista frisa sua passagem pelo conselho que organizou algumas edições daquele evento. Lembrou também que em 1992 o conceituado Moma, de Nova York, reuniu seus dirigentes para discutir a Bienal da Gravura. Curitiba tem que se conscientizar de que é o lugar onde se centraliza o pensamento da arte, observou.


