Como um grande mix de arte, a exposição ‘‘Inserções’’, na Galeria Ybakatu, em Curitiba mostra o trabalho de oito artistas com curadoria de Fabio Noronha. Participam da coletiva Alex Cabral - pinturas e desenhos; Carlos Morevi e Tita Blister - fotografias e vídeo; Marcelo Pires e Monica Piloni - esculturas; Ricardo Carvalho - curta-metragem, Sebastian Arguello - vídeos e Vera Bagatilo - desenhos. A mostra será aberta dia 28, às 20h30 e permanece até o dia 28 de maio.
Segundo a proprietária da galeria, Tuca Nissel o universo de escolha ser restringiu a artistas que começaram a trabalhar e a estruturar suas produções nos últimos três anos. ‘‘Não existiu um conceito inicial exato que dirigisse a escolha dos artistas. Tentamos perceber quais artistas ofereciam maiores possibilidades de desdobramentos para seus trabalhos, as relações estabelecidas nas produções anteriores e a solidificação dos trabalhos’’, conta.
Alex Cabral explorou a figura humana ‘‘pop’’ em duas telas: ‘‘Edgar Alan Poe’’ e ‘‘Dissection of the muscles os the back’’, pintadas com esmalte sintético automotivo que serão apresentadas como díptico. ‘‘Faço cópias de outras imagens, desenho a partir de fotos’’, exemplica.
Um dos quadros foi retirado de uma sacola de compras. O outro de um livro de anatomia. ‘‘Gosto de enganar o espectador desavisado e que olha a tela mais rapidamente. Se a pessoa de detiver percebe um outro trabalho.’’
Alex conta que escolhe as imagens pela forma e não pelo significado. A partir de um desenho da foto ampliada é feito um estencil. A imagem é aplicada na tela e retocada, num trabalho detalhado e minucioso.
A dupla Carlos Morevi e Tita Blister mostra um conjunto de fotografias e um vídeo, ‘‘O trabalho é basicamente em cima de literatura do início do século, alguns escritos de terror’’, define Carlos. As cores não têm necessariamente a ver com os temas. ‘‘Buscamos as distorções, a saturação em ambientes de fobia e fantásticos. As cores escapam ao controle. As macrofotografias, retratos e texturas onde o importante é o foco e a profundidade’’, conta. No vídeo, os artistas exploram a música experimental chamada de ‘‘noise’’. ‘‘É uma nova interpretação da música industrial, onde o que conta é o volume e o ruído.’’
Um chapéu dourado exposto numa vitrine de vidro e acomodado numa almofada vermelha é a obra escolhida do artista plástico Marcelo Pires. ‘‘Mostro um chapéu caipira como se estivesse numa joalheria. Quero, com isso, mostrar a beleza das coisas simples’’, afirma. O padrão de bonito, a crítica dos parâmetros da obra de arte são o mote de inspiração de Marcelo. ‘‘A arte é tudo. Não tem limites.’’
Monica Piloni apresenta duas esculturas. Um delas, chamada ‘‘Baleiro’’, é uma série de pênis fundidos em resina e colocados dentro de uma camisinha agigantada de vidro onde não podem ser tocados. A outra, não possui título. É um bolo de casamento feito em glacê de açúcar de confeiteiro sobre estrutura de isopor onde ficam evidentes mais de trezentos dentes que o decoram. A escultura tem como base uma mesa decorada com metros de tule e faixas fúnebres. No fundo uma coroa funerária.
O curta-metragem realizado em película 16 milímetros por Ricardo Carvalho foi escrito, dirigido e editado como um trabalho final de curso na New York Film Academy em 1998. Trata-se da história de Alfredo Teixeira, o Russo, jogador de futebol e corretor de imóveis, que começou no juvenil do Goiás e hoje trabalha numa imobiliária do Queens, em Nova York. É a trajetória de um homem dividido entre duas (im)possibilidades de sucesso, na terra onde o sucesso é o que mais conta.
Sebastian Arguello mostrará dois vídeos: ‘‘Plano Pecho’’ e ‘‘Sistema’’, que foi feito a partir de uma câmera de vídeo sem muitos recursos, uma TV sem antena e um vídeo cassete. Assim formou-se o sistema câmera-VT-vídeo-homem.
Vera Bagatoli diz que seus desenhos tiveram, por quase três anos, o coração como ponto de referência. ‘‘Num primeiro momento, víscera - desvinculando de sua simbologia de vida, sentimento de amor ou dor. Em seguida tornou-se forma plástica com relevos e profundidades. Agora é a matéria, que através de sua diversificação evoca nossas sensações táteis e mantém o caráter orgâncio das formas - anterior a qualquer metáfora é gordura, pele, músculo’’,Divulgação

Desenho em carvão sobre papel, de Vera Bagatoli

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Trabalho em fotografia, de Tita Blister e Carlos Morevi

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‘‘Baleiro’’, obra em vidro e resina, de Monica Piloni

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‘‘Chapéu Dourado’’, em vidro, tecido e resina acrílica, de Marcelo Pires

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‘‘Jerome Goodluck’’, colagem de Alex Cabral

Elisa Marilia Carneiro

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