Josoé de CarvalhoGunter Thiede: ‘‘A música brasileira é um grito de liberdade’’Ele é muito carismático. Portanto, deverá ganhar o público tão logo abrir seu inseparável acordeon para tocar músicas - clássicas e populares - de diversos países. Trata-se do instrumentista e cantor alemão Gunter Thiede que se apresenta em Londrina hoje, na Associação Médica de Londrina, às 20h30, e amanhã, no Clube Concórdia, em Rolândia, às 20 horas. O repertório é segredo pois é montado na hora e de acordo com a reação do público. Só se sabe que ele toca e canta músicas de 11 países durante aproximadamente uma hora e meia. O Brasil deve ser homenageado em pelo menos uma música - ‘‘Tico Tico no Fubᒒ.
Gunter é bastante conhecido na alemanha por um motivo muito especial. É que além de músico ele é policial. Daí, a alcunha de ‘‘O Policial Cantante’’. Mas a música foi seu primeiro ofício. Músico desde os cinco anos de idade, ele já fez parte de conjuntos musicais e já compôs cerca de 60 músicas populares e um ‘‘sem-números’’ de peças clássicas. Ainda jovem, fundou um conjunto - ‘‘Os Cornichons’’ - com o qual se apresentou em rádios e TVs com bastante sucesso.
Mas eis que, aos 40 anos de idade, ele foi convidado a ingressar na polícia civil. Tudo porque uma de suas músicas - que falava de um gentil policial que ajudou uma senhora a atravessar a rua - acabou tendo uma boa repercussão em todo o País e acabou sendo ouvida por um chefe da polícia. Daí veio o convite. ‘‘A princípio eu não quis por que eu era músico e não policial’’- informa. ‘‘Depois acabei aceitando por que tratava-se de garantir uma aposentadoria segura’’- brinca ele.
Qualquer que seja realmente o motivo, Gunter se sujeitou a fazer todos os cursos necessários para se tornar um policial. Só que em vez de ser um policial comum, foi escolhido para ser uma espécie de embaixador musical da Alemanha. Sua arte, a partir de então, estaria também voltada para promover a paz. ‘‘Sou músico, claro, mas a partir do momento que coloco a farda sou um policial’’- avisa.
E sua primeira tarefa no exterior - na condição de ‘‘Policial Cantante’’ - foi nos Estados Unidos, em 72, quando se apresentou em diversos programas de TV. Daí, nunca mais parou. Foram dezenas e dezenas de apresentações nos mais distantes países, sempre - como faz questão de frisar -, em missão de boa vontade.
Aos 65 anos e aposentado como policial (mas com permissão para usar a farda durante suas andanças musicais pelo mundo afora), Gunter já faz algumas importantes apresentações. Entre elas, em Tschernobyl (em 89, quando cantou para crianças); em 87, durante as celebrações dos 750 anos de Berlim (onde rcebeu condecorações); e em 90, no dia da reunificação das Alemanhas quando gravou, para a TV Russa, no jardim de sua casa, uma de suas composições - ‘‘Minha Pátria’’
O Cristo de braços abertos Essa é a primeira vez que Gunter vem ao Brasil. Aqui, desde o dia 1º de Abril, ele já se apresentou em São Paulo e no Rio de Janeiro. Depois de Londrina e Rolândia, ele segue para Blumenau, Jaraguá do Sul, Pomerode e Itapiranga (todas cidades de Santa Catarina) e Porto Alegre (RS).
Sua vinda aconteceu a convite do Instituto Hans Staden, que há 80 anos divulga a cultura alemã através de intercâmbios, e conta com o patrocínio do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha. Em Londrina e região, suas apresentações são organizadas pelo grupo Folclórico Alemão Rotkappen, cuja supervisão fica a cargo do casal Kronenberg, e conta com o apoio do Consulado Honorário da República Federal da Alemanha.
Do Brasil, o músico alemão conhecia pouca coisa de real. Aliás, ele tem uma história interessantíssima. Há 35 anos ele pintou uma tela na qual protestava contra a construção de Brasília. É que, para o músico, uma grande floresta teria sido devastada para dar lugar à nova capital do Brasil. ‘‘Para mim, Brasília era uma mulher que chorava’’- conta. O equívoco só foi desfeito depois de ter lido que nada do que imaginava tinha acontecido.
Gunter aprecia a música brasileira só que assume não se identificar muito com a Bossa Nova, o movimento que colocou musicalmente o Brasil em evidência no Exterior. Sua mulher, como garante, adora. ‘‘Posso não me identificar com a Bossa Nova, mas para mim a música brasileira é um grito de liberdade’’- diz ele se referindo, principalmente, às músicas executadas no filme ‘‘O Cangaceiro’’, ao qual assistiu diversas vezes.
Do Brasil, ele garante levar só boas impressões. ‘‘Eu não pensei que o País pudesse ter tantos superlativos’’- admite. Porém, a imagem que mais o marcou foi vista tão logo pisou no Rio de Janeiro e viu o Cristo Redentor. ‘‘Eu tive a impressão de que o Cristo de braços abertos me dizia: venha, meu filho, que eu vou mostrar como esse País é bonito’’- conta
q Gunter Thiede - apresentações hoje, em Londrina, na Associação Médica de Londrina (Praça 1º de Maio, 130), às 20h30. Entrada Franca. Amanhã, às 20 horas, no Clube Concórdia de Rolândia (Rua Gastão Vidigal, 162). Ingressos a R$ 5,00.

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