A arte do mestre
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 05 de novembro de 1996
Sucursal de Curitiba 
O Museu da Gravura Cidade de Curitiba estará expondo a partir de hoje uma das principais partes de seu acervo. No Solar do Barão estarão à mostra 20 obras de Lívio Abramo, um dos melhores gravuristas brasileiros.
As gravuras selecionadas para a exposição mostram figuras humanas, construções abstratas e quatro obras da série Macumba, produzida na década de 50 e considerada por alguns críticos como uma das mais importantes fases do artista.
Lívio Abramo nasceu em Araraquara, em 1903, e sua paixão pela gravura nasceu na adolescência, quando ele descobriu a xilogravura em livros de poesia italianos. As xilos ilustravam os versos. Em 1926, fez experiências de onde surgiram suas primeiras xilogravuras. Seus trabalhos de iniciante revelavam a preocupação com as desigualdades sociais.
Linguagem Em 1928, uma série sobre o operário paulistano em linogravuras de estilo cubista deixou-o marcado como um dos artistas brasileiros mais preocupados com a questão social e pioneiro entre os cubistas nacionais.
Dois anos depois, sua obra refletia a influência que estava recebendo dos expressionistas alemães, como Feininger e Kathe Koliwitz. Essa linguagem iria dominar seu estilo durante toda a década de 30, mas sempre preservando sua maneira de fazer a arte, que não tinha a deformação e a dramaticidade dos alemães. Nesta época, ele faz a série Espanha, em que tenta denunciar os horrores da Guerra Civil Espanhola.
Na década seguinte, ele se volta aos temas brasileiros e pesquisa novos efeitos técnicos da gravura, utilizando-se de vários matizes de cinza. Nos anos 50, ele produz a série Macumba em que tenta transpor para a arte o ato e o espetáculo religioso. Nessa mesma época faz ainda as séries Rio, Festa e Mandalas. Foram essas pesquisas que abriram caminho para o surgimento da gravura abstrata no país.
Em 1962, fixa residência no Paraguai onde passa a dirigir o Ateliê de Gravura da Missão Cultural Brasil-Paraguai. Continuou mostrando-se bastante criativo e inovador, utilizando-se da arquitetura paraguaia para inspirar-se. Lívio Abramo morreu em 26 de abril de 1992, em Assunção, no Paraguai e seu corpo foi enterrado em São Paulo. A Fundação Cultural de Curitiba adquiriu várias obras do artista, e a exposição é uma ótima oportunidade para apreciar um pouco do trabalho dele.
q 20 Gravuras de Lívio Abramo - Solar do Barão (Rua Carlos Cavalcanti, 533, Centro), em Curitiba. De hoje a 1º de dezembro, de segunda a sexta-feira, das 9h às 20h. Sábados e domingos, das 10h às 15h.


