A arte do inventivo diretor argentino Alejandro Agresti
São Paulo, 20 (AE) - Assista a "El Viento se Llevo lo Que" (Cinesesc, às 22 h) e você vai descobrir por que Alejandro Agresti é tido como o mais inventivo dos diretores argentinos da atualidade. O cinema argentino, de maneira geral, é chegado ao academicismo. Há honrosas exceções e Agresti é a mais notável delas. Fez sucesso com "Buenos Aires Vice e Versa" e agora reitera sua criatividade com este "El Viento se Llevo lo Que".
A história é para lá de engenhosa. Soledad é uma taxista que, cansada do ofício, resolve roubar um carro e põe o pé na estrada, sem destino. Sofre um acidente na Patagônia, pede ajuda aos moradores locais e descobre uma coisa estranha: os habitantes do vilarejo não têm contato com o mundo. Ou melhor, seu único contato é por meio do cinema, no qual se projetam filmes antigos. Estes, aliás, chegam em péssimo estado, com cópias truncadas, faltando pedaços. A narrativa deles é confusa, também cortada, aleatória. Por meio dessas histórias, as pessoas controem seu mundo.
É extraordinária a maneira como Agresti trata o desejo de evasão tão comum hoje em dia. Soledad não apenas se manda e busca fugir de uma realidade que sente como opressiva. Encontra um mundo perdido, quase pré-histórico, formado por imagens primárias e distorcidas. Como se fosse possível começar tudo de novo, usando apenas esses velhos fotogramas, esses materiais de construção elementares do mundo do cinema.
Por que como quase todo diretor de sua geração, Agresti é também fascinado pela metalinguagem - quer dizer, faz um cinema que, com frequência, fala do cinema. Seu mérito é evitar aquela posição de belo isolamento, que leva tanta gente boa à esterilidade. O cinema, para ele, é referência fundamental, mas não única. Interessa-lhe o mundo em que vive. O cinema é simplesmente o seu instrumento de análise desse mundo confuso e sem sentido. (L.Z.O.)





