A ARTE DO GRUPO DE BAGÉ
A Galeria da Caixa, em Curitiba, expõe obras de Carlos Scliar, Danúbio Gonçalves, Glauco Rodrigues e Glênio Bianchetti
Zeca Corrêa Leite
Curitiba
Eles são referências nacionais nas artes plásticas. Começaram suas carreiras entre os anos 40 e 50 e, quatro décadas após, participam de uma mostra cujas produções são datadas dessa época. Carlos Scliar, Danúbio Gonçalves, Glauco Rodrigues e Glênio Bianchetti poderão ser vistos a partir de hoje, na Galeria da Caixa, em Curitiba, através da exposição ‘‘Grupo de Bagé no Clube de Gravura - Década de 50’’, promovida pela Caixa Econômica Federal.
Trinta e oito obras estarão na mostra, a maioria criada entre 1950 e 56, ano em que se desfaz o Clube de Gravura de Porto Alegre. O Grupo de Bagé, por sua vez, passou a existir sob esta denominação graças à imprensa gaúcha, que lhe deu este título.
Danúbio Gonçalves, um dos remanescentes do movimento, dará uma palestra no Teatro da Caixa, às 17h30, sobre o tema ‘‘O Clube da Gravura de Porto Alegre e as Tendências da Arte na Década de 50’’. O encontro é importante não só para os artistas - especialmente os que estão se iniciando na profissão -, como ao público em geral. É a história viva fazendo um relato de um importante período das artes, que tem sua repercussão na posteridade.
O movimento surgiu nos anos 40 na cidade de Bagé, com o objetivo de arejar as artes no Rio Grande do Sul. Começou com músicos e escritores, mas logo houve a adesão dos artistas plásticos Glauco Rodrigues e Gênio Bianchetti. Carlos Scliar e Danúbio Gonçalves viriam mais tarde.
O Clube de Gravura surge em 1950 e iria contribuir para que outros clubes sejam criados nas principais capitais brasileiras, em países do Cone Sul e até mesmo em Portugal, na cidade do Porto. Tem vida intensa e efêmera; não passa do sexto ano. O tempo que durou, no entanto, foi decisivo para ingressar na história.
EsquerdistasVisto como um marco na gravura e um dos sustentáculos da modernidade nas artes visuais do País, o Grupo de Bagé sofreu influências do expressionismo alemão, de Cândido Portinari e Lasar Segall. Marcou presença pelo rigor de sua arte, e em sua trajetória desafiou as vanguardas americana e européia, então representadas pelo abstracionismo.
Havia preocupações sociais no movimento. Por lutarem a favor da paz mundial Carlos Scliar, Danúbio Gonçalves, Glauco Rodrigues e Glênio Bianchetti eram considerados ‘‘de esquerda’’.
Quando se associou ao grupo, Carlos Scliar já era um nome conhecido. Aos 20 anos, em 1940, conquistara a medalha de prata em pintura, da Divisão de Arte Moderna do Salão Nacional de Belas Artes. Integrante do Partido Comunista Brasileiro, viria a desligar-se da legenda em 56. Nos anos 60 passa a viver só das artes, trabalhando nos ateliês de Cabo Frio e Ouro Preto.
Glênio Bianchetti tem sua carreira dividida entre a gravura e a pintura. Começou copiando ilustrações de calendários; mais tarde viria a ter sua obra influenciada por Segall e pela Semana de 22. Participou de coletivas no Brasil e no exterior, fez uma individual na Itália e uma de suas obras foi escolhida pelo governo federal para homenagear o governo francês. Participa desta mostra com dez linoleogravuras.
Danúbio Gonçalves, 72 anos, deixou Bagé aos 10 anos de idade para estudar no Rio de Janeiro. Nos 14 anos de vida carioca frequentou os ateliês de Portinari, Burle Marx e August Zamoyski, recebendo influência direta dos três. Durante breve período morou em Paris. Na mostra do Grupo de Bagé colocou 12 xilogravuras extraídas das séries ‘‘Xarqueadas e Mineiros do Butiᒒ.
Glauco Rodrigues, 68 anos, aos 20 recebia menção honrosa no Salão Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Em 1950 e 51 obteve, respectivamente, medalhas de bronze e de prata. Residiu em Roma durante três anos, tendo nesse período realizado exposições na Itália e Alemanha (‘‘Artistas Brasileiros em Kassel’’). Expôs pela última vez no exterior em 1990, com uma individual na Galerie Etienne Dinet, em Paris.
‘‘Grupo de Bagé no Clube de Gravura - Década de 50’’, com obras de Carlos Scliar, Danúbio Gonçalves, Glênio Bianchetti e Glauco Rodrigues, abre dia 14, às 19h, na Galeria da Caixa, Rua Conselheiro Laurindo, 280. Às 17h30 desse dia haverá palestra com Danúbio Gonçalves, ‘‘O Clube da Gravura de Porto Alegre e as Tendências da Arte na Década de 50’’. Permanece até 1º de agosto, de segunda a sexta-feira, das 10h às 16h. Visitas de escolas ou grupos devem ser agendadas na Supervisão de Marketing Cultural, tel. (041) 225-1809 ou (041) 322-2020 ramal 336.

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