A arte direta de Said Assal
O público poderá se sentir indefeso diante das enormes telas assinadas pelo artista plástico Said Assal, que estão expostas na Galeria Banestado. E é exatamente esta a intenção. Rostos humanos, com expressões de dor e raiva, estão representados em telas muito coloridas, de dois por dois metros, concluídas recentemente.
A arte tem a obrigação de provocar reações nas pessoas, afirma Assal. Em sua opinião, não há mais razão para uma relação puramente estética. Há um sentido obrigatório de questionamento. Modesto, ele não concorda que sua obra seja diferente, mas apenas mais direta. O artista trabalha com a expressão bruta do ser humano.
Ele costuma perguntar o que a arte atual está comunicando ao público. Acho que há uma lacuna deixada pelos artistas. É exatamente aí que entra o ponto de comunicação de seu trabalho, que estabelece um contato direto com o espectador.
Sua inspiração está na elaboração dos sentidos. Ela vem do questionamento sobre o meio social. Arte é vida e o papel do artista é o de trazer novas luzes.
Assal diz acreditar que a arte hoje esteja mais aberta, embora as pinturas apareçam menos figurativas e com pouca criação. Mesmo o trabalho mais figurativo traz algo abstrato de cada um, comenta. Em sua opinião, nos últimos cem anos houve uma grande abertura para a tecnologia, o que permite a qualquer um se transformar num canal receptor das artes. Hoje, tudo na arte é mais possível, diz.
O tamanho exagerado das telas também tem um motivo claro, o de criticar a formatação do espaço. Somos reféns do espaço, questiona. Ele justifica dizendo também que a dimensão das telas é grande porque nós somos grandes.
Assal antecipou explicando que sua intenção é fazer os próximos trabalhos ainda maiores. Eles irão cada vez mais escancarar a expressão humana.
Paranaense, formado na Escola de Belas Artes de São Paulo, começou a trabalhar com desenho aos 15 anos de idade. Aos 16 fez sua primeira exposição. Sua obra, que já foi apresentada em várias cidades brasileiras, sempre foi questionadora e polêmica.
Um exemplo é um dos trabalhos recentes, em que várias cabeças apareciam se comendo. Havia um certo lirismo naquela pintura, que era mais lúdica e geométrica. Esta obra ficou recentemente exposta no Museu de Joinville, Santa Catarina.
Sua próxima exposição está agendada para o Sesc de São Paulo, no início do próximo ano. Para esta mostra, ele está preparando pequenas esculturas, em forma de bocas.
Para ele, o referencial da linguagem é o ser humano. Talvez esta seja a explicação para a presença constante de bocas, cabeças e rostos em suas obras. Gosto de mexer com o natural e com o humano.Fotos: Mauro FrassonSaid Assal optou por grandes formatos em seus trabalhos também como uma forma de crítica à arte atual e promete obras ainda maiores do que estas expostas na Galeria de Arte Banestado, em CuritibaSimone Mattos





