A arte de viajar com as palavras
É num povoado de jangadeiros e pescadores de Prainha de Nossa Senhora dos Navegantes, no município de Aquiraz (situado a 30 quilômetros de Fortaleza), que a escritora Ana Miranda vive atualmente, de frente para o mar. A casa em que vive, descreve ela, é uma pequena chácara com nove coqueiros e outras tantas árvores de frutas das quais come diretamente do pé, local em que divide o tempo entre o silêncio, a amplidão e a contemplação. "Não dá vontade de escrever. Quero ir à praia, tomar água de coco, ficar admirando a natureza. Mas me ajuda, sim, pois o mundo está todo ali, ao alcance dos meus olhos", confessa, aos risos tom que permeou a conversa leve e agradável que humaniza a imagem da premiada escritora -, sobre o cenário propício para a inspiração e o processo criativo idealizado por dezenas de pessoas. A distância do caos da cidade grande e o recolhimento, então, trouxeram, além das frutas frescas e da brisa do mar, mais tempo para si, mais tempo para sua obra.
Obra cuja lista é longa. Logo no primeiro romance, "Boca do Inferno", a escritora alcançou um fenômeno como revelação. "Fiquei muito assustada e não imaginava que aconteceria. Ficava dizendo a mim mesma: Isso aí não é nada, não significa nada, ainda tenho toda uma vida de trabalho pela frente." Pés no chão e cabeça nos sonhos, no mundo onírico, é autora de vários sucessos. A maioria deles, romances, traduzidos em vários países. Em sua obra, a literatura brasileira e os autores são muitos mais que personagens; a obra que produziram é matéria-prima. Mas, ainda que sejam livros ficcionais, existe uma base de realidade histórica que é respeitada, transformada em elemento da narrativa. As ilustrações, de sua autoria, complementam com a linguagem visual.
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