A arte de subverter a ordem das coisas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Denise Ribeiro<br> Equipe da Folha 
A partir de hoje, às 11h, obras da pintora e desenhista Niobe Xandó, considerada a precursora do realizmo mágico no Brasil, estarão a disposição do público em ''Niobe Xandó - Mostra Antológica, A arte de subverter a ordem das coisas II'', no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.
De acordo com o curador Antonio Carlos Abdalla, estarão presentes cinco das 13 fases da produção da artista cuja obra tem como característica marcante o trabalho com o lúdico. ''Ela é uma das fundadoras do realismo fantástico em nível mundial, que é a realidade levada ao patamar do irreal dentro das artes visuais, tal como Mario Vargas Llosa fez na literatura'', explica Abdalla. Niobe Xandó iniciou a carreira na década de 1940 e produziu ao longo de 60 anos. Hoje a artista nascida em São Paulo tem 93 anos e por questões de saúde não trabalha mais.
São cerca de 240 obras, entre pinturas, desenhos, colagens e objetos divididas nos segmentos ''Flores Fantásticas'', ''Máscaras'', ''Letrismo'', ''Mecanicismo'' e ''Abstracionismo Geométrico''. Na primeira, Xandó reorganiza imagens captadas com a ampliação de flores por meio de lupas. Em ''Máscaras'', a artista trabalha com a mitologia africana. ''Essa fase é marcada pela artes mais místicas, mas sempre de forma instintiva, a Niobe é autodidata'', ressalta o curador.
Já o confronto entre o humanismo e o mecanicismo, que teve seu auge no fim dos anos 60 e foi um dos temas em debate no marcante ano de 1968, em Paris, está na fase ''Mecanicismo''. ''Nessa fase, arruelas, porcas e material industrial mecânico passam a ser utilizados na obra de arte, e o retrato do homem passa a ser uma máquina, como na obra 'Black Power''', exemplifica Abdala.
Já o ''Letrismo'' caracteriza-se pela criação de uma nova linguagem legível a partir da condensação de palavras que já existiam. ''Isso foi muito utilizado pela publicidade após os anos 60, como o símbolo de proibido fumar em que você associa a idéia à figura de forma direta'', compara o curador. O Letrismo surgiu na França, em 1950, por meio do artista e teórico Maurice LeMaitre, um ex-dadaísta que Niobe conheceu em Paris, em 1968.
As fases do Letrismo e Mecanicismo estão representadas também de forma multimídia com a música e o cinema. A ambientação sonora criada por Anna Maria Kieffer e Vanderlei Lucentini traz uma releitura das obras por meio da música eletroacústica. ''Há a interpretação fonética dos símbolos do letrismos e sons industriais. Exatamente o que está no quadro está sendo interpretado pela música'', conta Abdalla. O filme traz uma biografia livre da artista, com depoimentos de críticos e amigos dela.
A exposição tem o patrocínio da Companhia Paranaense de Energia (COPEL) e o apoio do Ministério da Cultura, do Governo do Paraná e da Caixa.
SERVIÇO
- Niobe Xandó
Quando - Abertura hoje às 11h. Segue até 1º de março, de terça a domingo das 10h às 18h
Onde - Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba
Quanto - R$ 4 (estudantes e professores pagam meia, menores de 12 anos e idosos não pagam), hoje a entrada é gratuita das 10h às 12h
Mais informações - (41) 3350-4400 ou no www.museuoscarniemeyer.org.br


