Entre criar uma arte voltada para a comercialização - logo, dentro de um repertório de limites estreitos de linguagem - como peças decorativas e funcionais ou uma arte experimental que corre o risco de não ser assimilada pelo público, o artista tem que enfrentar um mercado que passa pela abertura de espaços em galerias, pelo gosto e empenho de marchands, curadores e produtores de arte, adequação de currículo, como obtenção de prêmios em salões, exposições em espaços alternativos, etc., até conquistar um lugar para o seu trabalho. Às vezes em forma de venda de suas peças, em outras, a troco de prestígio, dependendo do caráter de sua obra.
O fato é que o mercado das artes no Brasil é muito restrito, os espaços expositivos acanhados demais e sem recursos para receber exposições importantes, e a mentalidade muitas vezes provinciana dos curadores impedem a divulgação e a circulação da diversidade da arte produzida no país. Além disto, é preciso entender que a arte não está desvinculada dos fatores estruturais à qual está submetida a sociedade. No nosso caso, da dependência econômica do capital internacional com sua lei do livre mercado que absorve cada vez menos serviços qualificados dos quadros nacionais e a redução da mão de obra devido o uso da tecnologia, em um mundo onde a competitividade é cada vez mais imposta e o lucro mais centralizado.
Mas apesar de todo esse individualismo implantado à força por conta do capitalismo e do apego ao poder, reações coletivas de grupos com interesses comuns mantêm acesa a chama da resistência em vários setores da área cultural. Nas artes plásticas, um destes focos é o Projeto Linha Imaginária, surgido em 1997, em São Paulo, cuja finalidade é a de reunir artistas de lugares e linguagens as mais diversas dispersas pelo país, fazendo exposições itinerantes em galerias e espaços culturais das cidades por onde passa, com uma agenda ágil que vai mapeando criadores, produtores e espaços compatíveis com a linguagem contemporânea da arte. O projeto, que já passou por mais de 10 Estados brasileiros, incluindo a cidade de Curitiba, é coordenado por Sidney Philocreon ([email protected]) - que aceita receber portfólios -, e conta hoje com o material de 150 criadores. Por enquanto os recursos, como as despesas para o transporte e postagem, por exemplo, têm sido pagos pelos próprios artistas que se cotizam para a realização dos eventos.
A esperança é que projetos como esse de ação coletiva comecem a proliferar por todos os lugares, pois criam condições e meios de divulgar e difundir a arte contemporânea. E o mercado deixa de se tornar a referência básica para quem quer fazer uma criação livre de colonialismo no país.
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