Há duas semanas, a arte paranaense perdeu Quincaju. O artista plástico, batizado como José Joaquim Alves de Almeida, morreu aos 91 anos, em Jacarezinho, de complicações no esôfago. A última exposição do artista foi realizada no ano passado no Museu de Arte Contemporânea do Paraná, em Curitiba, e reuniu 53 obras. Adepto do estilo primitivista, Quincaju utilizava o entalhe em madeira como modo de registrar a suas impressões em relação ao mundo e às pessoas.
Quincajú trabalhava com materiais inusitados, em suas caminhadas recolhia galhos da árvore, pedras de restos de construção e ossos de animais em decomposição. Trabalhou inclusive com palitos de fósforo e de churrasco. O artista representa o município de Jacarezinho internacionalmente e as enciclopédias Britânica, Barsa e Delta Larousse trazem menção ao expoente das artes plásticas do Paraná. A trajetória intensa do artista permitiu que fosse reconhecido como um dos maiores primitivistas do Brasil.
As primeiras peças do escultor foram realizadas em lápis, aos 49 anos, depois estimulado pela família desenvolveu pesquisas sobre madeiras de lei em Jacarezinho e começou uma fase de produção intensa. Nesta época, o artista expõe obras em toda a região. Durante a década de 70 produziu obras de grande expressão. Em 1982 Quincaju se mudou para Londrina para manter-se próximo de sua família, a mudança se reflete em suas obras e suas peças passam a ser produzidas em dimensões menores.
O ano de 1986 se destaca pelo retorno do artista a Jacarezinho, segundo ele uma cidade acolhedora que proporcionava melhores condições para viver e para produzir. O artista que utilizava lápis, cabos de vassoura, pernas de mesa só precisava de um canivete para executar obras que impressionam pela estética ousada. Ao longo da carreira ele inovou e começou a utilizar pedra sabão e pedra rebo. Os materiais, trazidos de Minas Gerais por seu filho, demonstravam a versatilidade do artista.
Em 1997 propõe novas técnicas e começa a utilização de folhas secas de coqueiro. Durante as quase 60 exposições em que participou, recebeu inúmeras homenagens como um dos principais escultores do Paraná. Nos 40 anos de carreira o artista produziu cerca de 1500 peças e expôs em diversos estados. Em 1989 recebeu a medalha de bronze no prêmio Paleta de Ouro de Artes Plásticas no Salão Portinari em São Paulo. Suas obras estão expostas em museus de São Paulo, Paraná e Minas Gerais. A última homenagem que recebeu em vida foi o título de cidadão honorário do município de Jacarezinho, em 98.

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