A arte de provocar o riso
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Redação FolhaWeb 
Foi em tom de piada que o bate-papo começou entre o cartunista Paulo Caruso e o escritor José Roberto Torero, dentro do ciclo "Autores e Ideais", promovido pelo Sesc, na última quarta-feira (18). A palestra reuniu autores e público para debater o humor nacional na literatura e na mídia.
Desenhista desde os quatro anos de idade, Paulo Caruso rabiscava para contar histórias com irmão gêmeo e também cartunista, Chico Caruso. Em 1965, aos 16 anos, os dois já trabalhavam nas redações ilustrando a vida política nacional com alfinetadas e doses de bom humor. "Eu fui formado profissionalmente nesse contexto, a charge política virou uma questão de sobrevivência."
Quando Torero tinha a mesma idade, em 1979, o ambiente já era outro, e fez com que o escritor, roteirista e cineasta fizesse o uso do humor para diferentes vertentes e medidas. "O sucesso é sorte", explica o autor. "A piada, para ser engraçada, tem que ser escondida, meio invisível, pois aí o cérebro funciona mais. Essa pequena demora que você tem para entender a piada acaba virando prazer."
Nem mesmo o debate sério sobre censura e proliferação dos espetáculos stand-up, em contraposição à onda do politicamente correto foi suficiente para afastar o humor sutil e perspicaz de Caruso e Torero. Em clima de conversa de botequim, o público riu com o roteiro escrito por Torero sobre a romântica e assassina Ana, no curta "Amassa que elas gostam", além de apreciar de perto os originais das charges de Caruso.
Ao fim, a dupla de autores se uniu para recontar, através da música e leitura, histórias da colonização do Brasil. Do Bolero de Cabral ao Funk de Dom João, entoados por Caruso, público e convidados deram um toque de sarau à complexidade que é unir humor, literatura e ironia.


