A ARTE DE PAPEL
Os visitantes da 40ª Exposição Agrícola de Londrina, organizada pela Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel), podem conhecer um pouco mais da história da imigração japonesa através dos minicenários em origami (arte de dobrar papéis) expostos no evento. Criação do Grupo de Estudos de Origami GEO, de São Paulo, a exposição retrata algumas das situações vividas pelos japoneses que desembarcaram no Brasil há 92 anos.
São 26 minicenários de 64 centímetros de largura por 44 centímetros de altura, que mostram da culinária à agricultura. Foram dois anos de pesquisa e produção, conta Mari Kanegae, do grupo GEO e que esteve em Londrina para a abertura da Exposição e também para coordenar a oficina de origami.
A delicadeza das pequenas obras e a riqueza dos detalhes encantam o público de todas as idades. Entre as dobraduras em exposição, é possível encontrar desde mínusculos tomates a uma miniplantação de café, lembrando a forte presença nipônica na agricultura brasileira.
Além das questões rurais, a exposição de origami também retrata a cultura japonesa, hoje cada vez mais presente entre os brasileiros. São cenas que destacam a cerimônia do chá, o beisebol, as danças e as lutas marciais.
Antes de chegar a Londrina, as miniaturas de papel já passaram por cidades do estado de São Paulo, Rio de Janeiro, Niterói e Presidente Prudente. O próximo passo é levá-las para a embaixada brasileira no Japão, em outubro. Estamos atrás de patrocínio, conta Mari, que idealizou a exposição para a comemoração dos 100 anos do Tratado de Paz Brasil-Japão, em 96.
Conseguimos retratar a história da imigração, porque vejo pessoas de idade, de ascendência nipônica, se emocionando muito, conta Mari. Até mesmo os japoneses que viram a exposição se surpreenderam porque tinham a imagem de fuga de uma situação ruim. Não imaginavam que aqui a situação também foi muito difícil, completa.
Mari Kanegae, que passou um ano no Japão estudando origami com mestres nipônicos, tem hoje três livros publicados no Brasil, sendo que Origami Arte e Técnica de Dobradura de Papel, já está na 10ª edição. O livro A Arte dos Mestres de Origami, organizado por Mari, também está à venda na Alemanha. O origami é uma arte universal, não é preciso conhecer a língua para fazer, dá para entender pelos desenhos, explica.
Para a artista plástica, a filosofia do origami é o que a gente precisa para a vida: paciência, força de vontade e treinamento. Nos tempos da faculdade de artes plásticas, Mari descobriu que o origami poderia ser uma boa idéia para as aulas com crianças carentes. Queria ensinar algo que elas pudessem continuar em casa, e o papel é muito acessível, conta. A experiência foi tão rica que até os pais das crianças se interessaram em aprender.
Como é um treinamento, qualquer um pode aprender a fazer origami, como afirma Mari, que já perdeu as contas de quantas figuras sabe dobrar. Estou sempre aprendendo coisas novas, finaliza.
Exposição de Origami na 40ª Exposição Agrícola de Londrina, da Associação Cultural e Esportiva de Londrina. Rua Paulo Kawasaki, 101.





