A arte de moldar o vidro
Moldar o vidro transformando-o em pratos, cinzeiros, esculturas, pastilhas para mosaicos, vasos, peças decorativas e utilitáras. Tudo isso é ensinado no curso de moldagem em vidro, oferecido pela Fundação Cultural de Curitiba, no Centro de Criatividade.
Com uma semana de duração, o curso é permanente e o aluno pode escolher a data do início. Os professores são os artistas plásticos Elvo Benito Damo e Maria Helena Saparolli, que unem pesquisa em bibliografia especializada e as próprias experiências no processo artesanal desta técnica. Ensinamos a teoria e a prática dos processos de conformação do vidro pelo uso do calor, afirma Elvo.
Junto com as técnicas já oferecidas pelo atelier, como cerâmica, bronze, pedra, madeira e outros materiais da escultura tradicional e de vanguarda, a nova proposta permite o aprimoramento de artistas e abre oportunidades para os iniciantes na área das artes plásticas.
O curso de moldagem em vidro utiliza somente material reciclável como retalhos de chapas planas de vidro, frascos de perfumes, fragmentos de garrafas e pó obtido de recipientes de vidro triturado. Os alunos trabalham o vidro com relevo, forma, textura e cor. Existe um campo enorme de possibilidades, realça Maria Helena.
Os alunos aprendem, ainda, sobre os diversos tipos de vidro, composição química, temperaturas de fusão e compatibilidades, processo de moldagem, confecção e utilização de vários moldes, queima e acabamento, além das muitas possibilidades de decoração como pintura por esmaltação, corte ou desbaste, corrosão por agente químico e jato de areia.
Outra abordagem é sobre as cores do vidro, que são obtidas com o acréscimo de agentes colorantes durante o processo de criação do objeto. Entre estes agentes estão o manganês, cobalto, ferro, níquel, antimônio e outros componentes metálicos.
Por exemplo, o azul é resultado da adição de óxido de cobalto, sais de cobre ou ferro. O verde vem da mistura de óxidos de cromo, ferro, cobre, urânio ou vanádio, enquanto o púrpura consegue-se com o óxido de manganês.
Para aumentar as possibilidades do curso de moldagem em vidro, Elvo Benito Damo e Maria Helena Saparolli construiram um forno para realizar peças com até 70 centímetros de diâmetro.
Constituído por uma caixa de metal revestida com material isolante e refratário, o forno é elétrico, e tem controle exato de temperatura. Mais um forno, também elétrico, está à disposição dos alunos para obras cujo tamanho não exceda 30 centímetros.
Depois de terminar o curso, os participantes podem continuar a trabalhar no local para desenvolver novos projetos, inclusive com utilização da técnica em objetos utilitários.
Os estudos de Elvo e Maria Helena na área de moldagem de vidro também podem ser utilizados pela indústria. Um exemplo é o trabalho feito a pedido do arquiteto João Guilherme Dunin para a criação das luminárias do Canal da Música. Os dados como curvatura, cor, resistência e textura ideais para o vidro a ser usado foram repassados à empresa que confeccionou os objetos.Fotos de Mauro FrassonNo alto, a artista plástica Maria Helena Saparolli junto ao forno elétrico. Ela e Elvo Benito Damo, ao lado, pesquisam a técnica de modelagem em vidro há mais de um ano. Com um mesmo molde é possível fazer vários tipos de objetos decorativos (abaixo)Elisa Marilia Carneiro





