Curitiba - Não dá para negar, nem se fazer de rogadas. Hoje, dia 8 de março de 2002, Dia Internacional da Mulher, as mulheres de todo planeta têm muito o que festejar. Passados séculos de lutas femininas, as detentoras do poder de gerar vida, estão em alta. São mulheres na política, na economia, no jornalismo, na moda, nas artes, na música e, algumas, infelizmente, ainda nas ruas.
Talvez algumas ainda não entendam o motivo de ser importante o dia de hoje. Mas deveriam. Muitas incorporaram suas vitórias como a única forma de sobreviverem. Libertas da obrigatoriedade de ter um casamento bem-sucedido para serem aceitas pela sociedade, as almas femininas se entregaram aos prazeres da vida, da carne e também as obrigações que até então eram só dos homens.
Mas o que estas mulheres buscam hoje? Poder e prazer? Liberdade? Ou a volta à pseudotranquilidade do passado? Muitas estão num caminho de expor sua arte. Outras num caminho de luta por ela. E é o que está matéria especial tenta mostrar. Exemplos de mulheres que vivem no caminho da arte e da cidadania. Não conseguem se separar dela. Vivem por ela, por acreditarem ser a única forma de viver honestamente.
Esta honestidade é o fazer o que há dentro de si mesma desde pequena e que, talvez por alguns anos, ficou adormecido. Enfim, estamos em 2002 e as mulheres cada vez mais encontram seus lugares neste difícil dia-a-dia planetário.
Anarquiteta
Para a arquiteta Consuelo Cornelsen a frase de um amigo que a define como uma ‘‘anarquiteta’’ sempre vem a calhar. Nascida no Paraná, filha de um grande arquiteto, Lolo Cornelsen, ‘‘Com’’, como é chamada pelos amigos, é uma apaixonada por arte e também uma cidadã do mundo,
Depois de viver na Europa por alguns anos e ter grandes experiências lá, ‘‘Com’’ está de volta ao Brasil e com a corda toda. Reencontrou o caminho da arte e este contato para ela é uma espécie de elixir da vida. ‘‘Enxergo poesia em tudo. Vejo que as pessoas não entendem muito, mas esta é minha essência. Meu partido de vida é a amorosidade’’.
Dentro dos projetos da arquiteta, que adora transformar o que faz em manifestações de seu amor pela vida, estão trabalhos como a montagem de todas lojas da Oceanic do Brasil, algumas da Ralph Lauren e também da Hugo Boss. ‘‘Sou uma arquiteta de detalhes, que busca determinar espaços que indiquem intimidade. Para mim, Deus está nos detalhes’’.
Mesmo com todas as atividades profissionais que a levam a várias capitais brasileiras para ver de perto as obras, a arquiteta mantém uma preocupação constante com sua maior paixão. ‘‘Para mim o que importa é a arte. Somente neste ano farei várias exposições de Antônio Cláudio Carvalho aqui, em Portugal e Estados Unidos’’. A parceria com o artista plástico que viveu anos fora do Brasil é fruto de uma amizade nascida há mais de 30 anos. Mesmo afastados, os dois e mais Vírgilio Costa (criador da Lei Sarney) nunca deixaram de manter contato. Agora, a amizade de meninos voltou com força total depois de um encontro marcado à meia-noite do dia 31 de dezembro do ano passado, na beira da praia, no Rio de Janeiro. ‘‘Foi muito mágico. Parecia que não havíamos ficado tanto tempo longe’’, diz.
As obras do amigo Cláudio serão mais uma forma de ‘‘Com’’ lidar com o que mais gosta da vida. Lutando por colocar em evidência o trabalho do amigo, ela mesma encontra o prazer de respirar durante um ano inteiro o ar puro que a arte proporciona a seus amantes.
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Mario Cesar
Melissa Romero e Marisa Peraro querem despertar o prazer de ler em quem ainda não enxerga o livro como um aliado
Livros a mão cheia
As empresárias do setor livreiro de Londrina, Melissa Romero, 24 anos, e Marisa Peraro, 25 anos, a cada novo projeto enfrentam um duplo desafio. Primeiro, despertar o prazer da leitura para um público que não enxerga o livro como aliado. Em segundo lugar, conseguir credibilidade no mercado livreiro. Afinal, não é comum duas estudantes de Administração à frente de um empreendimento de risco. ‘‘Quando vamos fazer a divulgação de algum evento nas escolas as pessoas perguntam ‘são vocês as empresárias?’’’, observa Melissa. Os fornecedores também se enganam e acham que as duas são pessoas mais velhas. Marisa Peraro é chamada de ‘‘dona Marisa’’.
Para se diferenciar no mercado desafiador, a dupla idealizou na Books Livraria o projeto ‘‘Londrina, Literatura e Cidadania – o autor mais perto de voc꒒ e trouxe em setembro de 2001 os escritores Carlos Heitor Cony e José Roberto Torero. O sucesso dos bate-papos com os escritores foi o aval para terem um projeto aprovado na Lei Municipal de Incentivo à Cultura e o subsequente patrocínio do Consórcio União. Segundo Marisa Peraro, a ponte entre escritor e leitor tem como objetivo ampliar o interesse pela leitura.
Melissa Romero e Marisa Peraro levam em consideração o fato de o escritor se expressar bem oralmente, para que o bate-papo tenha um caráter informal e mais proveitoso. Na lista dos nomes que estão sendo sondados para esse ano constam Mário Prata, Fernanda Young, Patrícia Melo, João Ubaldo Ribeiro, Luis Fernando Veríssimo, Fernando Morais e Ziraldo. Agora depende da agenda dos escritores para selecionar quatro nomes e concretizar o projeto que tem início no próximo mês, no Teatro Zaqueu de Melo.(Francelino França/ De Londrina)

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