A ARTE DE HUMBERTO ESPÍNDOLA
Elisa Marilia Carneiro
De Curitiba
Em Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul, Humberto Espíndola é um dos ícones das artes plásticas. No entanto, foi em Curitiba, na adolescência, que Humberto pulou no trampolim para conquistar seu lugar. Amanhã, ele abre a mostra Bovinocultura, na Casa Andrade Muricy, às 19h30 e encerra no dia 7 de maio.
Atuante, polêmico e contestador, Espíndola mostra, em Curitiba, 32 anos de produção artística, representados em quase cem obras. Com uma coleção de 15 prêmios nacionais, Humberto Espíndola foi o primeiro mato-grossense a ser reconhecido pela crítica especializada.
Nascido em Campo Grande (MS), numa família de artistas e cantores, Humberto sempre esteve entre as pessoas que mais produziram nos dois Estados, MT e MS. Mas foi a partir da fundação da Associação Sul Mato-grossense de Artes, junto com Aline Figueiredo e um grupo de idealistas, que a arte do Estado pôde ser conhecida.
Atualmente, Espíndola mora em Cuiabá e em Campo Grande (MS) entre a mágica exuberância do Pantanal, sua maior fonte de inspiração artística. Tanto, que foi ao boi que dedicou toda a sua carreira. Sempre quis pintar o boi e não tenho interesse em mudar o tema, reconhece.
Humberto já pintou e continua pintando o boi de todos os jeitos e variações. No início era um boi sozinho, melancólico. Na época da ditadura militar o boi era um tirano boi de protesto. Os nelore campeões são personalizados e inspiraram a série Pavilhão, do artista plástico.
As telas Rosas/Boi surgiram como uma sátira às rosas-flor de laboratório. As rosas foram objeto dos primeiros estudos de engenharia genética, há oito mil anos, na Índia. As pétalas foram fabricadas para serem polpudas, repolhudas, das mesma forma que as pesquisas genéticas do boi são para torná-lo carnudo, argumenta Humberto.
Mas o boi foi tema de interesse de artistas plásticos desde o Minotauro. Para estudar o boi, Espíndola esteve viajando pelo Oriente atrás dos mitos e lendas vivas. Essas experiências foram transformadas, além de quadros, em objetos de couro e chifres. Humberto trabalha também com as marcas que os fazendeiros usam para marcar o gado, rosetas e rosas. Esses trabalhos formam, o que chamo, de mapas de ocupação.
Humberto Espíndola nasceu em Campo Grande, em 1943. No início dos anos 60, veio estudar em Curitiba, onde formou-se em Jornalismo pela PUCPR, em 1965. Atuou no meio teatral e literário universitário, participando da Primeira Noite da Poesia Paranaense. Foi, ainda, um dos organizadores e participantes da 1ª Exposição de Pintura dos Artistas Sul Mato-Grossenses de Arte. Entre as exposições mais marcantes que participou estão a Bienal de São Paulo (1971) e a Bienal de Veneza (1972).
Exposição Bovinocultura, de Humberto Espíndola. Casa Andrade Muricy (Alameda Dr. Muricy, 915) de amanhã, às 19h30 até o dia 7 de maio, de terça-feira a domingo, das 10h às 22h. Ingressos: R$ 3,00 e R$ 1,00 (estudantes).O consagrado artista plástico mato-grossense abre amanhã, em Curitiba, a exposição Bovinocultura
DivulgaçãoUm exemplar da série Rosas/Rosetas, em óleo sobre tela, de 1981DivulgaçãoPecúnia, de 1974





