Pais e escola estão juntos na tarefa de transmitir valores necessários para a boa formação do indivíduo. Aos pais parece-nos extremamente natural que se ocupem disso, mas a escola, ainda que repensando seu lugar nesse âmbito, é co-responsável pela orientação e formação do indivíduo. É o seu foco e material de trabalho.
  A escola já não mais se presta a apenas dar o arcabouço teórico necessário do currículo formal. Vem ampliando seu papel junto à sociedade lidando com o resultado direto do que a família produz em seus filhos. Educadores vêem refletidas nas crianças e jovens aquilo que em sua família as configura: seus valores, seu padrão relacional, seus conceitos em relação à própria escola e de como esta é valorizada ou não.
  É a partir de como os alunos refletem seu comportamento na escola que entendemos muito dos valores que pais emprestam aos filhos. Nestas circunstâncias observamos o aspecto da qualidade.
  Reconhecemos então que valores são estes, pois os vemos representados nas crianças e jovens que, quando em contato com a filosofia e postura da escola, tornam-se deslocados - parecendo-nos supor que estes utilizam da escola assim como um produto de consumo.
  Sem dúvida que a escola presta um serviço, inclusive para a sociedade como um todo, mas há o que acrescentarmos a isso: que sua matéria-prima é o desenvolvimento e formação de indivíduos.
  Há crianças e jovens que criticam e tratam mal a própria escola, pois não lhes foi ensinado o valor de respeito e a importância de pertencer a ela. Tratam-na como produto.
  Isso tudo é muito simples de se enxergar: é visto na conduta da criança e do jovem a forma como ela respeita as regras, as normas, a maneira pela qual ela trata os funcionários, por vezes como seres invisíveis, nem dignos de um ‘‘bom dia’’, tratando-os como aqueles que estão ali porque são pagos para isso. Agem assim na verdade porque não lhes foi ensinado o valor da dignidade e do trabalho. Certamente não vêem seus pais agindo com cordialidade frente aos funcionários, e assim imitam o modelo que lhes é concedido.
  É preciso refletir: Que valores os pais transmitem? Que valores seus filhos imitam?
  Há alunos, por exemplo, que demonstram pouco ou nenhum cuidado e zelo pelas dependências da escola. Jogam lixo no chão, não dão descarga no sanitário, riscam as paredes, deixam a torneira aberta, molham o rolo de papel higiênico. E isto não acontece em escolas públicas e de periferia, ao contrário, ocorre de forma democrática em escolas privadas onde o valor em questão refere-se ao respeito, cuidado, consideração e capacidade afetiva. Naturalmente que crianças e jovens pouco comprometidos em respeitar o ambiente em que se encontram são pessoas que ainda não tem claro a junção entre afeto e cuidado.
  Assim como a cidadania, de se sentir fortalecido em suas raízes, a escola é um espaço que precisa ser valorizado, como tal ela merece, pois promove o sentimento de pertencer, preenchendo este importante quesito que nós seres humanos temos em relação às coisas, pessoas e situações, e que nos dão significado na vida.
  A aliança necessária entre escola e família parece-nos perfeita ao servir de parâmetro aos jovens que com certeza precisam refletir, e ter uma postura firme diante de temas tão controversos como a droga, o sexo precoce, as dúvidas frente a escolha profissional, enfim temas relacionados ao rumo de sua vida e ao destino da sociedade do futuro.

Luiza Ricotta é psicóloga e escritora. Autora de ‘‘Quem Grita Perde a Razão: A Educação Começa em Casa e a Violência Também’’, Editora Ágora. E-mail: [email protected]

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