Técnica que acompanha o homem desde o início de sua evolução, a gravura também progrediu mas sem deixar de ser uma arte artesanal, com uma gama imensa de possibilidades. A 12ª Mostra da Gravura, que na última terça-feira, em Curitiba, oferece exemplos de todos os métodos de gravação e mostra trabalhos de reconhecidos artistas gravadores. A exposição permanece aberta até o dia 6 de agosto.
São quatro as técnicas de gravura mais utilizadas - a xilo, a lito, a calco e a serigrafia. Apesar de serem reconhecidas como gravação também a fotocópia, o monoprint e os ploters, que usam processos com tecnologias modernas.
A opção por produzir uma obra em gravura ou fazer uma tela ou ainda uma escultura, depende basicamente da possibilidade de multiplicação e de popularização de uma obra de arte. ‘‘Um artista plástico pode escolher fazer uma tela que vá vender por R$ 10 mil ou dez cópias de gravuras que venderá por R$ 1 mil, cada’’, exemplifica Ana Gonzalez, orientadora do Museu da Gravura.
‘‘O que faz com que a gravura seja uma técnica muito procurada e amplamente educativa é o fato de, numa mesma obra, o artista trabalhar com idéias de incisão, de matriz, de inverso e negativo, de marca e de multiplicação’’, observa Ana.
Para que os visitantes possam usufruir melhor da mostra e percebam as nuances da gravura, a Folha pesquisou as diferentes técnicas.
Xilogravura - a palavra xilo vem do grego ‘xilon’ que significa gravação em madeira. Uma placa de madeira - cerejeira, pereira, imbuia, pau-marfin, mogno - nem muito dura nem mole, é lixada conforme a necessidade para não repelir a tinta - deve ficar lisa e absorvente. O desenho é primeiro feito a caneta hidrocor ou a nanquin, depois são realizados os talhos com as goivas e formões, sempre espelhados e no negativo. Ou seja, as ranhuras são feitas na parte onde a imagem não vai receber tinta. A madeira recebe uma camada de tinta tipográfica ou de offset com rolo de borracha. O papel é colocado por cima e feita pressão com uma prensa de rosca ou com pás de bambus, como faziam os chineses. Se o artista quiser cores diferentes, deve cobrir as partes com alguma máscara (papel, plástico, acetato), ou fazer uma matriz para cada cor.
Gravura em metal ou calcogravura - é exatamente o inverso da xilogravura. A tinta vai entrar no sulco do metal e o papel vai absorver essa tinta. Espelhada também, a calcogravura é feita com ferramentas próprias ou com banhos de ácido. Chama-se ‘‘água forte’’ a técnica de cobrir a placa de metal com um banho de verniz e com uma ponta seca abre-se as áreas que o ácido deve atacar. Existem vários ácidos e cada um corrói o metal de uma forma diferente.
Outra maneira é cobrir o metal com pó de breu. A placa é aquecida de maneira que o pó derreta e se fixe nela. Em cima dessa placa coloca-se verniz na parte que não deve ser atacada pelo ácido. Esta técnica chama-se ‘‘água tinta’’ e oferece uma infinidade de tons, que podem até parecer uma aquarela. Os metais usados são o cobre e o latão, ou o alumínio.
Litografia - é a gravura em pedra. Diferente das demais, não é uma técnica de relevo mas de reação química, entre ácido e gordura. Os desenhos são feitos com material oleoso (lápis ou tinta) diretamente sobre uma placa de pedra calcária, da Bavária. A matriz é acidulada, de forma que onde há desenho o ácido faz com que a passe a repelir gordura, no restante a pedra fica porosa. A tinta definitiva só vai grudar no papel onde foi desenhado. Através da pressão. a litografia também é espelhada e no negativo.
Serigrafia - trata-se da técnica mais conhecida. É de permeação. A matriz é feita numa tela e a tinta atravessa a trama da tela. Pode ser feita diretamente ou através de luz. A tela é coberta com uma substância fotossensível, é colocado o desenho sobre uma mesa de luz para ser gravado. Por último é colocada a tinta. Para cada cor é uma matriz diferente, como para as outras técnicas.

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