A arte de colecionar
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 11 de julho de 2017
Danieli Souza<br>Especial para a Folha2 

O Clube Filatélico de Londrina - associação londrinense voltada ao colecionismo, especialmente à numismática (coleção de cédulas e moedas) e filatelia (coleção de selos) - está promovendo uma mostra filatélica com a coleção temática de selos "Livro e Literatura". Criado em 1976, o clube é uma comprovação de que a atividade - de grande valor histórico e que reúne entusiastas pelo mundo todo - continua firme, apesar das inovações tecnológicas. Tanto que existe até data no calendário: 5 de março, Dia do Filatelista Brasileiro.
É fato que, atualmente, o uso dos correios para a comunicação entre as pessoas caiu em desuso. Mas, para a alegria dos colecionistas, o lançamento dos selos continua acontecendo com a mesma frequência de antes.
Essa, infelizmente, não é a realidade dos numismatas. Dionisio Borsato, colecionador de cédulas e moedas, ressalta que a atividade vai muito além de um "hobby". A numismática também faz uso de diversas áreas do conhecimento para estudar as moedas, buscando identificá-las e situá-las no tempo histórico. No entanto, a fabricação tende a se tornar cada vez mais rara.
"A gente está enfrentando uma crise das moedas. Antigamente, a emissão delas era bem maior, tinha uma cunhagem (fabricação de produtos em metal) muito grande. Hoje, por mais que a busca esteja fácil pela internet, com o uso do cartão de crédito e das compras online essa fabricação diminuiu."
Ele, que é professor de Química da Universidade Estadual de Londrina, conta que a paixão surgiu ainda na infância. Borsato nasceu em 1947 e com 10 anos de idade começou a colecionar carteiras de cigarro que encontrava pelo chão. Na sequência, vieram os selos. Ele tirava das cartas que recebia e guardava. A vizinhança, no bairro onde morava, já sabia do gosto do menino por selos e as pessoas guardavam os que recebiam para presenteá-lo.
"O que eu sinto pelo colecionismo é amor mesmo. Tem dias que eu estou em casa, pego meus álbuns e olho tudo outra vez. É um prazer e alegria constante", diz. Esse amor é tanto que, muitas vezes, acaba gerando pequenas discórdias familiares. "Não no meu caso, que a esposa já está até acostumada. Mas sei de casos em que as esposas reclamam muito das coleções. É difícil dividir a atenção com esse outro amor", conta aos risos.
O clube foi criado em 1976 e Borsato faz parte dele desde a fundação. Luiz Carlos Martins, secretário do clube e organizador da mostra, entrou no ano seguinte, com apenas 13 anos, e conta que foi lá que aprendeu tudo que sabe sobre o colecionismo. Em 1974, ele teve o seu primeiro selo. "A amizade é, por muitas vezes, mais importante que as trocas, até porque nem sempre os nossos familiares dividem esse mesmo amor pelo colecionismo."
Para os que ficaram curiosos e interessados pela atividade, a mostra fica aberta até o dia 22 de julho. Além do evento, o grupo tem se reunido todo o segundo sábado do mês, das 9 às 12 horas, mantendo uma tradição que remonta à sua fundação em 1976.
Gregório Devides, que disponibiliza um espaço no comércio que tem juntamente com a esposa Maria Tereza Carvalho Devides para que sejam realizadas as reuniões do grupo, conta que a ideia é transformar a loja em um ambiente de encontro cultural. "A nossa ideia é levar conhecimento para as pessoas que frequentam nossa papelaria. Então, tudo que se envolva com o cultural é mais do que válido e bem vindo aqui. Acho que é missão de todos ajudar a disseminar a cultura", acredita. Além de apoiar o colecionismo, eles também cedem espaço para palestras e minicursos no local.

Serviço
Mostra Filatélica: Livro e Literatura
Onde: Paperí - Livraria e Papelaria (rua Paes Leme, 796)
Quando: até 22 de julho
Horário: de segunda a sexta, das 9h às 13h e das 14h às 19h
Aos sábados das 9h as 13h
O preço da raridade
Outra curiosidade sobre o colecionismo é a valorização que as peças recebem. A atividade não é apenas lúdica e continua cada vez mais valorizada: a quadra (quatro selos juntos) com a imagem do avião Jenny, o selo mais caro dos Estados Unidos, foi vendida recentemente por quase US$ 3 milhões. Moedas da época do Império, por exemplo, podem custar até R$ 20 mil.
Mas a idade nem sempre é o fator que agrega mais valor à coleção. Muitas vezes, existem moedas antigas, mas que foram produzidas em larga escala. Desse modo, uma moeda mais recente que, no entanto, teve uma cunhagem pequena, acaba sendo mais cara. O mesmo acontece com as cédulas e também com os selos.
Um caso recente, mas que exemplifica bem essa dinâmica, é a moeda de R$ 1 produzida durante a Olimpíada do Rio em 2016. Foram poucas as peças emitidas e, hoje, elas já estão sendo comercializadas por um valor próximo a R$ 100. "Essa é uma coisa que pesa muito para a gente. Qualquer coisa que fuja do usual faz com que essas peçam sejam valorizadas. Até mesmo erros de impressão estão inclusos nessa valorização", finaliza Luiz Carlos Martins. (D.S.)


