Lutar contra as ilusões tem sido a grande bandeira levantada pela arte contemporânea. Para levar a cabo tal empreendimento é preciso fundar uma estética da imanência, do agora-agora, de criar situações de rompimento com a estética de representação, testando os limites das categorias tradicionais da arte como o desenho, a pintura e a escultura e, principalmente, acabar com a noção de obra de arte, de objeto artístico envolto em aura fetichista.
O trabalho de Artur Barrio caminha nessa direção. São projetos, desenhos e registros fotográficos, considerados pelo artista mero material de documentação, de suas intervenções nas cidades, denominadas ‘‘Situações’’, instalações que não podem ser refeitas, peças que não podem ser preservadas. Apenas registradas, documentadas, uma vez que são precárias, perecíveis, feitas com carne, sangue, urina, cabeças de peixes, pó de café, ou simplesmente quebrando as paredes das galeriais e museus por onde circula seu trabalho.
O livro-catálogo ‘‘Artur Barrio - A Metáfora dos Fluxos: 2000/1968’’, produzido pelo Paço das Artes de São Paulo, em parceria com o MAM/Rio e o MAM/Bahia, busca dar conta da produção do artista nesses últimos 32 anos de atividade, começando com a instalação ‘‘O Fio de Ariadne...(no tempo como jogo...de tempo dentro do próprio tempo)....’’, criada no final do ano passado para o Paço das Artes, em São Paulo, até seus primeiros trabalhos, como a ‘‘Trouxa Ensanguentada’’, de 1969, criada para o Salão da Bússola em Belo Horizonte e que acabou se transformando na Situação ‘‘T.r. à B.H., M.G., Br., Le 20.04.70’’, em que o artista espalhou pela capital mineira várias trouxas de pano recheadas com carne, sangue e ossos, causando um impacto além do circuito artístico.
Com textos de curadores, críticos e da diretora do Paço das Artes, o livro-catálogo possui ainda textos de época do próprio artista, registros fotográficos de seus trabalhos, além de textos selecionados escritos em outras publicações e aí incluídos. Para adquiri-lo, pode-se ligar diretamente com o paço das Artes, no telefone (11) 3814-4832. Sem dúvida, mais um importante documento para entender o caminho do fluxo tomado pela arte contemporânea e em especial, da obra de Artur Barrio.

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