A arte da perseverança
Para transpor barreiras técnicas e até religiosas, os artistas exercitavam principalmente a criatividade
Para executar suas obras, os pintores do período Pré-Renascentista usavam madeira ao invés de tela. Os afrescos, característicos da época, eram pintados na parede sobre a tinta ainda fresca. A têmpera era a técnica mais utilizada e era feita com pó de óxidos coloridos misturados com clara de ovo.
Segundo a historiadora de arte, Berenice Reichmann, ainda não havia tinta a óleo, que só foi inventada pelos irmãos Zaneiyck no período conhecido por Quatrocentto, nos anos de 1300. É muito interessante perceber que os pintores só usavam as cores azul e vermelho, por exemplo, para as figuras de Jesus e Nossa Senhora. Isso, porque os óxidos para estas cores eram importados e muito caros. As cores preferidas, por serem mais baratas, eram o laranja, o verde, o amarelo e o marrom.
O precursor do pré-renascentismo é Giotto. Ele viveu na época em que os godos e bárbaros dominavam o mundo, por isso o termo gótico. Mas a Itália não gostou muito da novidade. Pelo menos, não a absorveu tanto quanto a França e a Inglaterra. Mas em Florença, pela proximidade com Veneza, chegavam as novidades trazidas pela navegação. O navegador e filósofo Krisaloras foi o responsável por trazer as coisas da Grécia. Desta forma, é retomado o humanismo grego.
Pintar como um pré-renascentista é sair dos moldes impostos pela Igreja Católica. Não eram permitidas a terceira dimensão e a alusão à sexualidade. O castigo era o inferno. Até por isso, com a necessidade de se redimir das barbaridades cometidas, a Igreja inventa a confissão. Era a forma de as pessoas poderem pecar e ter mais uma chance.
Mas falando-se de Renascimento não se pode deixar de citar a família Médici. Ela foi a primeira e mais importante patrocinadora das artes plásticas. Era muito rica, proprietária de feudos, em Florença, e valorizava e incentivava talentos, como o de Leonardo Da Vinci. Este muda-se para a França, que era mais aberta e lá deixa grande parte da sua obra, afirma Berenice. (E.M.C.)





