A arte da memória
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
Marcos Roman<br>Reportagem Local 



A memória afetiva que remete aos primórdios da cidade está sendo resgatada por meio de raízes e troncos de árvores centenárias, esculturas de ferro oxidadas pelo tempo, porcelanas antigas, telas e móveis rústicos produzidos com madeira de demolição. Cerca de 300 peças produzidas por 12 artistas londrinenses integram a exposição "Arte Compartilhada". A mostra criada como um presente aos 82 anos de Londrina fica aberta à visitação gratuita até o próximo dia 22, no Ateliê Yoshiya Nakagawara Ferreira, e pode ser conferida de segunda-feira a domingo, das 14h às 19 horas.
"Nesse momento em que o planeta todo está preocupado com o meio ambiente e busca-se reciclar tudo para evitar danos maiores, acho interessante mostrar que o conceito de arte é bastante abrangente e pode incluir peças com pouca ou nenhuma intervenção humana, incluindo aí muitas raízes e troncos de árvores que ajudam a contar um pouco da nossa história", destaca a geógrafa e artista plástica Yoshiya Nakagawara Ferreira, coordenadora da exposição e uma das fundadoras do curso de Mestrado em Geografia da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Ela conta que a ligação ancestral com a madeira a fez despertar a consciência ambiental ainda na infância. "Desde a época dos meus bisavós, que moravam no Japão, minha família sempre teve uma ligação afetiva muito forte com a madeira. Muitas das peças que fazem parte da exposição pertencem a um acervo pessoal que venho reunindo ao longos de décadas. Incluindo alguns galhos de peroba, sibipiruna e jatobá que recolhi em córregos próximos a Londrina e que foram arrancados ainda na época da colonização da cidade", enfatiza.
Para compor a exposição, além de raízes, troncos de árvores e móveis produzidos com madeira de demolição, Yoshiya convidou alguns artistas plásticos londrinenses para produzir peças com a temática da mostra. Entre eles, Ana Elisa Carneiro; Roberto Bertoncini, Carlos Sato, Cynthia Queiroz, Jane Benutti, Joana V., Mariana Benutti, Márcia Lima, Margarida Helbrugge Zirknitzer, Neide Maemura e Udhi Jozzolino.

"O Roberto Bertoncini, que é professor do curso de Artes Plásticas da UEL, fez uma linda instalação produzida com 90 miniquadros no estilo barroco brasileiro que se decompõem e foram produzidos com folhas de ouro. Já a Joana V. trabalhou com 50 miniesculturas feitas com ferro oxidado que carregam consigo as cores da natureza, além de uma técnica nova de pintura de aquarela sobre pratos e xícaras de porcelana", destaca.
Outras peças citadas por ela são as cadeiras de prosa. "Desenvolvi junto com Ricardo Bressan, estudante do curso de Desenho Industrial da Unopar, e com o arquiteto Henrique Piancatelli, confortáveis cadeiras de madeira reciclada com braços laterais de apoio que remetem àquelas usadas pelas famílias de imigrantes que costumavam se reunir para bater papo. As cadeiras ficaram muito bacanas e foram desenvolvidas de forma ergonomicamente corretas. Elas estão à venda, assim como várias outras peças", ressalta Yoshiya .
Serviço:
Exposição "Arte Compartilhada"
Quando Até o dia 22 de dezembro, de segunda-feira a domingo, das 14h às 19 horas
Onde - Ateliê Yoshiya Nakagawara Ferreira (R. Fernando de Noronha, 1400)
Quanto - Entrada Franca


