Através da arte é possível trabalhar o consciente emocional em busca de equilíbrio. É o que acredita a enfermeira Yone Albuquerque, com formação em artes plásticas. Há um ano ela resolveu colocar em prática esta idéia e abriu o espaço cultural Criativa Centro de Artes. ‘‘Não é uma escola comum de artes. Nós trabalhamos também com arteterapia’’, explica.
O resultado deste primeiro ano de trabalho será mostrado a partir de hoje em exposição que reúne obras de 19 alunos com idades entre 5 e 25 anos. Estarão em exibição os mais diversos tipos de trabalhos, desde quadros até maquetes em sucata.
Os trabalhos de alunos com idades entre 5 e 10 anos exprimem bem a filosofia da Criativa: trabalhar elementos do consciente emocional através da arte. Estas crianças foram convidadas a criar uma cena de casa a partir de sucatas.
Este tipo de material atende à proposta da escola por não se tratar de algo pronto, mas sim de objetos que precisam ser transformados para se obter o resultado desejado.
Caixas vazias, massa de modelar, papelão, espelho quebrado, retalhos de tecidos, tinta látex, foram apenas alguns dos materiais utilizados para a criação de maquetes de banheiros, cozinhas, salas, garagem, quartos. Cada crianças, segundo Yone Albuquerque, escolheu o ambiente que queria ‘‘construir’’.
Foram dois meses de trabalho, desde o projeto inicial até a conclusão final. A arteterapia entra em aspectos sutis do trabalho. Dois meses é muito tempo para uma criança realizar um trabalho. ‘‘Ela tem que conter a ansiedade de ver o resultado final de imediato’’, explica Yone Albuquerque.
Durante os encontros a professora passa de duas a três técnicas e as crianças a medida em que vão entrando em contato com novas informações voltam ao problema inicial, no caso a ‘‘construção’’ do ambiente desejado. ‘‘Esta experiência elas irão levar para as suas vidas’’, afirma Yone Albuquerque. ‘‘O ser humano tem uma capacidade grande em generalizar. Quando ele aprende algo em determinada área da vida, ele utiliza em outras áreas também’’, conclui.
Neste processo a livre expressão é palavra-chave. Com as crianças, Yone Albuquerque trabalha sempre respeitando a fase de desenvolvimento em que elas se encontram para não podar a criatividade. Em função disto, a artista plástica trabalha sempre com materiais recicláveis. ‘‘Eu não dou nunca uma tela em branco para uma criança pintar um quadro, por exemplo’’, explica.
Segundo ela, a tela em branco é um compromisso muito sério para a criança, que acaba criando a expectativa de produzir um quadro nos moldes em que ela já conhece. ‘‘É muita responsabilidade para ela, já que os quadros que ela já viu normalmente são feitos por adultos’’, explica.
Potencializar a criatividade é a meta principal da Criativa. O espaço oferece outras cursos, sempre tendo em mente a criatividade, como é o caso da Oficina de Textos que começa em março. ‘‘A criança tem a criatividade muito liberada. Com o passar do tempo é que vai sendo boicotada pelo adulto crítico’’, explica Yone Albuquerque. Através da arte, segundo a artista plástica, é possível trabalhar o consciente emocional, que muitas vezes, em desequilíbrio, restringe a criatividade.
Yone Albuquerque lança mãos de sua bagagem adquirida pela formação na área de saúde - enfermagem com especialização em Educação Especial Para Portadores de Doenças Mentais e um curso em Formação Vocacional e Profissional das Pessoas Portadoras de Necessidades Especiais.
‘‘Eu não faço prognósticos, porque não sou psicóloga’’, adverte.‘‘Mas oriento os alunos’’, diz. A arteterapia, segundo ela, pode ajudar em casos de hiperatividade, por exemplo. Segundo Yone, em casos mais graves como o autismo e mesmo com portadores de paralisia cerebral pode-se obter muitos ganhos através de atividades relacionadas às artes plásticas.
A idéia de trabalhar com arteterapia surgiu a partir de um paciente com paralisia cerebral. Yone explica que estas pessoas têm espamos e por isso não conseguem trabalhar com as mãos. ‘‘Eu estudei a dinâmica dos espamos e consegui controlá-los para que o aluno pudesse mexer com argila e tinta’’, conta. A princípio ele trabalhou com os pés devido às dificuldades com as mãos. ‘‘Com o tempo ele obteve ganhos de postura e emocionais’’, conta Yone.
Yone Albuquerque explica que no caso de pessoas portadoras de deficiências graves o atendimento é individual.Josoé de CarvalhoTrabalhos dos alunos do Criativa Centro de Artes: construção de maquetes e objetos à base de sucatasÉrika Pelegrino

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