Paulo WolfgangJúlio Camargo Artigas e Rosa Camargo Artigas, no Museu de Arte de LondrinaQuem quiser conhecer um pouco do universo do arquiteto brasileiro Vilanova Artigas, morto em janeiro de 1985, vai encontrar um material que reúne fotografias de obras arquitetônicas e textos do arquiteto no livro ‘‘Vilanova Artigas’’. A obra foi relançada em Londrina no Clube de Engenharia e Arquitetura, na última sexta-feira.
Os filhos de Artigas, o arquiteto Júlio Camargo Artigas e a historiógrafa Rosa Camargo Artigas estiveram em Londrina para o relançamento. A obra foi lançada pelo Instituto Lina Bo e I.M. Bardi com apoio da Fundação Vilanova Artigas em novembro do ano passado, em São Paulo, durante a Bienal de Arquitetura. Londrina é a segunda cidade em que o livro está sendo lançado.
‘‘Escolhemos Londrina para fazer o primeiro lançamento fora de São Paulo devido aos laços afetivos com a cidade’’, afirma Júlio Artigas. A obra é uma mescla de história, arquitetura e cultura brasileiras. O livro é dividido em duas partes: um painel biográfico de Artigas e 62 projetos arquitetônicos.
Na primeira parte encontramos as origens de Artigas, por ele mesmo. O arquiteto evidencia suas relações com a realidade social e política brasileira e expõe algumas de suas idéias sobre arquitetura e cultura brasileiras.
Reprodução



Obra mescla história, arquitetura e cultura brasileiras
A introdução biográfica, assim como as apresentações das obras, foram editadas a partir de escritos e testemunhos de Artigas. ‘‘O que resultou em evidente variação de tom: testemunhos têm linguagem coloquial, às vezes irônica, apaixonada, irada, comovida, própria da personalidade de Artigas; os textos escritos, ao contrário, são densos e têm o objetivo de educar para o exercício da liberdade, revelando o professor e o cidadão atuando na história em seu tempo’’, escreve Rosa Artigas na apresentação do livro Vilanova Artigas.
Na segunda parte está um pouco dos projetos arquitetônicos de Artigas. Dentre os 600 projetos que realizou nos seus 50 anos de carreira, foram selecionados 62. São casas, sindicatos, clubes, edifícios públicos, escolas, projetos urbanísticos e aulas, que colaboraram para a construção da arquitetura e cultura brasileiras.
Nesta parte estão algumas obras realizadas em Londrina: o Cine-Teatro Ouro Verde, a Casa da Criança, a antiga Estação Rodoviária de Londrina (hoje Museu de Arte de Londrina), o Edifício Sociedade Autolon. O arquiteto realizou outras obras em Londrina, que não estão no livro: casas, as rampas da sede do Country Club, Posto Transparaná na avenida Celso Garcia Cid.
Segundo Júlio Artigas, a antiga Rodoviária de Londrina é o trabalho mais importante realizado pelo arquiteto em Londrina. O prédio foi considerado pelo padre e urbanista francês Lebret, na década de 50, quando foi construído, como a melhor obra de arquitetura contemporânea do Brasil, de acordo com Júlio Artigas.
Outras obras podem ser apreciadas no livro: o Estádio do Morumbi, concurso para o Plano Piloto de Brasília, Anhembi Tênis Club e muitas outras realizadas em vários lugares do Brasil. O material utilizado é original e as imagens são da época, todos do acervo de Artigas. Isto faz com que o livro seja um veículo que ‘‘desvenda uma parte da história da arquitetura brasileira no momento em que estava sendo feita’’, segundo Rosa Artigas.
O livro não traz apenas imagens das obras de Artigas, mas também uma coletânea de textos. ‘‘Ele (Artigas) foi também um teórico da arquitetura’’, explica Rosa Artigas. Ela escreve no prefácio do livro que o critério adotado para sua edição foi despretensioso: ‘‘localizar no tempo a produção do arquiteto Vilanova Artigas’’.

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