A andróide e o sonso
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Omar Godoy<br>Equipe da Folha 
O encontro de dois superastros do cinema não é, por si só, a garantia de um grande filme. Mesmo que o projeto tenha um diretor talentoso, paisagens deslumbrantes, uma trama engenhosa e dinheiro de sobra no orçamento. Essa lição vale para ''O Turista'', que estréia hoje no país depois de fazer feio no circuito do Hemisfério Norte.
Detonado pela crítica e ignorado pelo público, o longa traz ninguém menos do que Angelina Jolie e Johnny Depp nos papéis principais. A atriz vive Elise, uma inglesa misteriosa, vigiada pela Interpol por ter se envolvido com Alexandre Pearce, um fugitivo acusado de roubar milhões de um mafioso.
Orientada por Pearce, que fez uma cirurgia plástica para mudar de rosto, ela tem de encontrar alguém com o tipo físico do amante para despistar as autoridades. Acaba topando com Frank (Depp), um pacato professor de matemática americano em férias na Itália. Juntos, os dois vão protagonizar uma trama que mistura espionagem, ação, romance e comédia.
Mas, afinal, o que deu errado numa produção tão esmerada, inspirada num charmoso filme francês (''Anthony Zimmer - A Caçada'') e dirigida por um nome em alta no mercado (o alemão Florian Henckel von Donnersmarck, vencedor do Oscar por ''A Vida dos Outros'')? Para começo de conversa, temos um roteiro que pretende passear por diversos gêneros, porém patina na ligação entre um e outro.
O casal de protagonistas também não convence. E não é só uma questão de química, pois os desempenhos individuais beiram a canastrice. Depp faz o mesmo tipo sonso visto em ''Piratas do Caribe'' e ''Alice no País das Maravilhas''. Jolie, por sua vez, está cada vez mais robótica, uma andróide sem expressão.
Sobram apenas as inúmeras viradas da história, no melhor estilo ''nada é o que parece''. Um prato cheio para quem adora passar a sessão tentando descobrir o final do filme - mas muito pouco para o espectador que aprecia diversão com o mínimo de consistência.


