'A Ameaça Fantasma' está chegando ao vídeo
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quarta-feira, 12 de abril de 2000
Por Luiz carlos Merten 
São Paulo, 13 (AE) - Imaginem se fosse bom: espancado pela totalidade da crítica, "Star Wars: Episódio 1 - A Ameaça Fantasma" foi o segundo filme mais visto no Brasil no ano passado, perdendo somente para "O Sexto Sentido", o recordista absoluto. Também pertence ao filme de George Lucas o segundo lugar entre as maiores bilheterias de todos os tempos, em todo o mundo. Perde somente para o megassucesso "Titanic". O total da bilheteria foi de US$ 430 milhões nos EUA e no Canadá, mais US$ 492 milhões nos demais países. Isso confere a "A Ameaça Fantasma" o total de arrecadação de US$ 922 milhões ao redor do mundo.
Nada mau para um filme que terminou sendo o grande derrotado no Oscar deste ano, na categoria de efeitos especiais. Nas três categorias em que concorria (som, efeitos sonoros e efeitos visuais), "A Ameaça Fantasma" foi batido por Matrix, dos irmãos Wachowskis. Derrota, aliás, merecida, pois trabalhando ambos com tecnologia de ponta os efeitos computadorizados e digitalizados de Matrix eram a própria razão de ser de uma fantasia que se passa toda na imaginação, não só do público, mas dos próprios personagens. Pois "A Ameaça Fantasma" está chegando ao vídeo.
A cópia em VHS, para venda direta - não será alugada e também não há previsão para lançamento em DVD, porque Lucas não quer -, deveria chegar às locadoras na quarta-feira, dia 19. Mas houve a greve da Receita Federal e o lançamento ganhou nova data - 3 de maio. Resta saber se será mesmo lançada nesse dia ou terminará cancelada, sem previsão de nova data, como ocorreu com o filme de Stanley Kubrick, "De Olhos bem Fechados".
O filme de Lucas chegará ao mercado com uma variedade muito grande de promoções e masterizado digitalmente pela THX, o que deve garantir qualidade superior de imagem e som ao produto. Rico em arte, design, figurino, arquitetura e efeitos especiais, o filme na verdade só deixa a desejar no fundamental - faltou uma boa história para amarrar tudo isso na obra que retrocede no tempo para contar o início da saga cujo episódio 4, "Guerra nas Estrelas", deu origem a uma das trilogias mais famosas da história da ficção científica (os outros dois: O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi).
No início, sabem todos os fãs da série, a idéia de Lucas era fazer três trilogias. A primeira a ser feita foi a intermediária. Depois dos três filmes anteriores a "Guerra nas Estrelas", ele planejava mais três, posteriores a "O Retorno do Jedi". As informações disponíveis dão conta de que Lucas, desgostoso com a acolhida a "A Ameaça Fantasma", estaria eliminando a última trilogia. Não é o pior filme do mundo, mas "A Ameaça Fantasma" foi recebido como se fosse. O problema talvez tenha sido de expectativa frustrada.
A mídia embarcou na viagem de Lucas e promoveu o lançamento do filme como se fosse o grande evento do fim do milênio. "A Ameaça Fantasma" decepcionou. A rigor, não se pode falar em decepção, porque Lucas, ao assumir também a direção, comprova mais uma vez que não é um bom diretor. Seu negócio - e os dois filmes restantes da trilogia anterior mostam isso - é a produção. É um problema. Outro está na própria concepção de "A Ameaça Fantasma".
Na trilogia "Guerra nas Estrelas/O Império Contra-Ataca/O Retorno de Jedi", Lucas, com a assessoria do mitólogo Joseph Campbell, conseguiu expressar, à perfeição, o nascimento e a consolidação do mito do herói positivo, encarnado por Luke Skywalker. "A Ameaça" propõe agora o mito do herói negativo. É a história de Annakin Skywalker. Garoto nesse primeiro filme, ele vai se render ao lado escuro da força para virar o arquétipo do vilão na outra trilogia - Darth Vader. Há momentos eletrizantes, como a corrida de Pods Boonta Eve. O décor da cidade submarina é genial, os figurinos de Natalie Portman, como a jovem rainha, são deslumbrantes. Mas o filme não decola.


