A ALMA DE UMA CIDADE
Daniel Katz
expõe fotos
de Lisboa na
Casa Romário
Martins
Zeca Corrêa Leite

Henryque Muniz/divulgaçãoDaniel Katz‘‘Lisboa velha cidade’’ é mais que um verso cantado por fadista. Pulsa nela vida e beleza nem sempre captadas pelos olhos ávidos dos turistas. Foi nesse plano mais íntimo e profundo que o fotógrafo Daniel Katz registrou a capital portuguesa entre 1993 e 1995. Do volume de imagens selecionou 40 fotos que formam a exposição ‘‘Lisboa - A Descoberta de uma Cidade’’. A abertura acontece hoje, às 20 horas, na Casa Romário Martins, em Curitiba.
‘‘Nada é tão rico que uma cidade, ela é uma fonte inesgotável’’, disse o experiente Katz, que recebeu seu diploma de Comunicação Visual, na UFPR, e no dia seguinte estava voando para Paris. Lá estudou na Ecole Nationale Superieure des Arts Decoratifs, e trabalhou na Agência Rapho, do mestre Robert Doisneau. Passou dez anos lá.
O fotógrafo Daniel Katz surgiu realmente durante esse período. Ele costuma dizer que sua escola é a francesa, marcadamente humanista. Então quando revela que fotografou ‘‘uma Lisboa que está em mim’’, está exercitando justamente esse lado. ‘‘Fiz um passeio pela alma da cidade.’’
Daniel KatzBarco pesqueiro na Costa da Caparica
A exposição patrocinada pelo Banco Boavista, com apoio da Fundação Cultural de Curitiba, Consulado de Portugal e Instituto Camões de Brasília, pelo próprio tema antecipa-se aos 500 anos do Descobrimento do Brasil.
‘‘Não foi coisa de passagem, apressada como uma reportagem. Fotografei lugares onde voltei algumas vezes e vivi alguns momentos.’’ Dos 40 registros em preto-e-branco, nas dimensões de 40x40, estão por exemplo a casa Pastéis de Belém (‘‘que adoro’’), um trecho da praia onde costumava banhar-se. ‘‘É um trabalho superpessoal’’, avaliou.
Para Katz a cidade lisboeta encerra a própria vida: ‘‘Ela é romântica, velha, jovem, calada, emotiva’’. As visitas renovadas que fazia aos locais tinham sempre algo a mais acrescentado. A visão se enriquecia.
As fotos, acompanhadas por frases do filósofo francês Jean Baudrillard, são um roteiro muito íntimo que o fotógrafo quer compartilhar com o público. ‘‘Não é uma Lisboa turística a que eu trouxe para a exposição. É um trabalho que fiz para mim, de uma cidade que me fascinou’’, confidenciou.
• Lisboa - A Descoberta de Uma Cidade - exposição fotográfica de Daniel Katz. Casa Romário Martins (Largo da Ordem, 30), em Curitiba. Abre hoje, às 20h. Visitação pública de terça a sexta-feira, das 9h às 18h, sábados e domingos das 9h às 14h. Permanece até 26 de julho.

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