A África está em nós
Nordestina, de origem negra e indígena, a professora de português Maria Evilma Alves Moreira, 33 anos, é uma entusiasta da importância de levar mais informação aos alunos sobre a riqueza da cultura africana e sua influência no Brasil. Em 2010, ela fez parte da elaboração do livro didático "A África está em nós: História e Cultura Afro-brasileira - Africanidades Paranaenses" (Editora Grafset), que foi adotado no ano passado pela rede municipal de Maringá e está em fase de avaliação pela Secretaria Municipal de Educação de Londrina.
O material é um trabalho coletivo que envolve vários pesquisadores da área e teve coordenação da professora Marcilene Garcia de Souza. "Tivemos a intenção de fazer um apanhado geral sobre a cultura negra no Paraná. Falta materiais sistematizados sobre esse tema e o livro aponta caminhos, possibilidades para o professor de qualquer série se aprofundar no assunto, embora pedagogicamente o livro seja mais voltado para alunos do quinto ao sétimo ano", destaca Maria Evilma.
Na publicação, há desde informações sobre os 86 quilombolas existentes no Paraná (registrados pela fotógrafa Socorro Araújo) até curiosidades sobre heróis e personalidades negras paranaenses de destaque, como a líder do movimento negro Dona Vilma, o professor Brandão e o Doutor Clímaco, o primeiro médico negro de Londrina. "Muita gente não sabe, por exemplo, que e estrada de ferro de Curitiba foi projetada pelos irmãos Rebouças, que eram negros, engenheiros de formação, mas recebiam salários de faxineiro. Na parte cultural, há também o maestro e compositor Waltel Branco, que é conhecido na Europa como 'Mestre Waltel', que foi um dos compositores da música tema da 'Pantera Cor-de-rosa'", comenta a professora.
Integrante do coletivo da APP-Sindicato que discute o combate ao racismo, ela também é especialista em História e Cultura Africana e Afro-brasileira, Educação e Ações Afirmativas, pela Universidade Tuiuti do Paraná. "Apesar de lei 10.639, que torna obrigatória a inclusão nas escolas do conteúdo sobre a diversidade racial, alguns trabalhos ainda dependem do voluntariado e ativismo do professor, que tem que ser autodidata e pesquisar material didático na internet", avalia.
Maria Evilma também realiza oficinas de tranças nas escolas, onde apresenta uma parte teórica sobre o tema, explicando sobre o simbolismo das tranças e suas origens e também faz tranças nas alunas. "É bem interessante o quanto isso mexe na parte afetiva e na autoestima das alunas. Quando as tranças ficam prontas, parece que há um empoderamento nelas. É bonito de ver", afirma.
Mais informações sobre o livro no site da editora: www.grafset.com.br. (A.P.N.)





