Hoje é dia de assistir a um dos mais importantes - mas pouco vistos - filmes do cinema nacional. O longa ''Bang Bang'', de Andrea Tonacci, será exibido no ciclo Olhar Radical da 9 Mostra Londrina de Cinema. A sessão começa às 14h30 no Cine Com-Tour/UEL, com entrada gratuita.
Lançado em 1971, o título de estréia do diretor paulistano já foi definido como um filme-laboratório, fonte de invenção e experimentalismo. Policial em tom de sátira, ''Bang Bang'' traz influências de histórias em quadrinhos e do cinema burlesco.
Construído com ênfase nos planos-sequência, mais do que no enredo ou na montagem, o filme destina à câmera uma autonomia explosiva. A ação resume-se na figura de um homem neurastênico, um ator que durante a realização de um filme se vê envolvido em várias situações: um romance com uma bailarina espanhola, perseguições, diálogos com um motorista de táxi e tretas com um trio de bandidos - um cego que atira a esmo, um narcisista e a mãe de todos que come o tempo inteiro.
O protagonista, interpretado por Paulo César Pereio, aparece em várias cenas usando uma máscara de ''O Planeta dos Macacos''. Além de ''Bang Bang'', a agenda de hoje do ciclo Olhar Radical traz duas produções recentes: ''500 Almas'' e ''Ainda Orangotangos''. O primeiro foi rodado em 2005 com direção de Joel Pizzini.
Protagonizado por Paulo José e Matheus Nachtergaele, narra o processo de reconstrução da identidade dos índios guatós, atualmente dispersos pela região pantaneira. O longa ganhou quatro troféus Candango no Festival de Brasília de 2005, nas categorias Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora e Melhor Som. A sessão em Londrina será às 16h15.
Já ''Ainda Orangotangos'', dirigido pelo gaúcho Gustavo Spolidoro, é o primeiro longa filmado em um único plano-sequência no Brasil. Na história, um casal de imigrantes chineses cruza a cidade em um vagão de metrô. Doentes e cansados, eles tentam ajudar um ao outro, ao mesmo tempo em que enfrentam a desconfiança dos demais passageiros e a incompreensão de sua língua.
O chinês vagueia pelos corredores da estação de metrô e pelo mercado público da cidade, em busca de ajuda. É o início de uma série de situações-limite vividas por diversos habitantes da cidade. O filme será exibido às 21h30. A programação do dia traz ainda as competitivas local e nacional e a Mostra Curta Petrobras/Revelando os Brasis.
Concorrem no segmento local os títulos ''Crazy Town'', de Jobert Castro; ''Emílio em... Olvidos'', uma produção coletiva e ''Patologia da Balbúrdia'', de Felipe Augusto Almeida de Oliveira. Já para o prêmio nacional entram na disputa os curtas ''Doce Amargo Infinito'' (CE), de Cássio Araújo; ''Éternau'' (SC), de Gustavo Jahn; ''Moradores do 304'' (MG), de Leonardo Cata Preta e ''Paralelos''(BA), de Alexandre Basso.
A Mostra Curta Petrobras, por sua vez, é um projeto do Ministério da Cultura que tem como objetivo promover processos de inclusão audiovisual, por meio do fomento à produção de vídeos digitais em cidades brasileiras e até 20 mil habitantes. Nessa sessão, será mostrada uma coletânea de curtas realizados pelo projeto.

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