Glauber Rocha, o polêmico diretor baiano que revolucionou o cinema promovendo uma radical revisão na cultura brasileira, é a atração de hoje na 9ªMostra Londrina de Cinema com o filme ‘‘A Idade da Terra’’, de 1980, às 14h30 no Cine Com-Tour. O filme mostra Cristo em várias versões. Segundo o próprio Glauber, um Cristo-Pescador, interpretado por Jece Valadão; Antônio Pitanga na pele de um Cristo-Negro. Dom Sebastião, interpretado por Tarcísio Meira, mostra Cristo como o conquistador português e o Cristo Guerreiro-Ogum de Lampião, interpretado por Geraldo Del Rey.
  Eles seriam os quatro Cavaleiros do Apocalipse que ressuscitam o Cristo no Terceiro Mundo. O filme, considerado uma obra revolucionária, causou grande polêmica no Festival de Veneza em 1980. Uma curiosidade sobre o filme foi que Glauber não enumerou as latas do filme para que cada projetista pudesse seguir uma ordem aleatória ao exibir o filme. ‘‘A Idade da Terra’’foi restaurado por Paloma Rocha, filha de Glauber, e Joel Pizzini em formato digital, retornando a Veneza em 2007 – 27 anos após a sua primeira exibição. Nesta sessão em Londrina, será projetada a versão restaurada.
  Glauber dizia que o filme é para ser assistido ‘‘como se o espectador estivesse numa cama, numa festa, numa greve ou numa revolução. É um novo cinema, anti-literário e metateatral, que será gozado, e não visto e ouvido como o cinema que circula por aí. É um filme que fala das tentativas do Terceiro Mundo... fala do mundo em que vivemos. Não é para ser contado, só dar para ser visto.’’
  Depois do filme haverá a exibição do documentário ‘‘Moacir Arte Bruta’’, de Walter Carvalho. Há 15 anos, em uma de suas viagens pelo interior do Brasil, Carvalho descobriu Moacir. Negro, com problemas de audição, fala e formação óssea, Moacir tem 42 anos e desde os sete anos se expressa por meio de desenhos. A arte dele expressa sensualidade e erotismo, mesclando seres humanos, animais, plantas, figuras satânicas e místicas.
  A Competitiva de Curtas tem sete exibições a partir das 20 horas, também no Com-Tour. ‘‘Re(de)genere’’ de Gabriela Canale, com Guilherme Baracat e Regina Egger, aborda a estética nazista para tratar o conceito de degeneração e intolerância 70 anos após a exposição ‘‘Arte Degenerada’’. ‘‘Alphaville 2007 D.C.’’, de Paulo Caruso, com Antônio Abujamra e Sheila Mello, mostra como um executivo e um cowboy acertam as contas da apartheid social brasileiro.
  ‘‘Icarus’’, de Victor Hugo-Borges com narração de GianFrancesco Guarnieri conta a história do amor que a tudo vence, que tudo constrói, até pontes que não existem mais. ‘‘Outubro’’, de Murilo Hauser, com Débora Zanatta, mostra os últimos dias da vida de uma garota em sua cidade natal, Curitiba. ‘‘Pugile’’, de Danilo Solferini com Gustavo Brandão, Marcilia Rosária Da Silva, Diogo Junqueira e Avelino da Silva, trata da relação entre dois irmãos, um deles portador de síndrome de Down.
  ‘‘Saliva’’, de Esmir Filho com Mayara Comunale, Gabriel Cavicchioli e Hellen Vasconcelos é uma viagem na mente de uma menina de 12 anos prestes a dar seu primeiro beijo. ‘‘Um Ramo’’, de Juliana Rojas e Marco Dutra com Lilian Blanc, Júlia Albergaria, Natacha Dias e Matheus de Jesus, mostra a história de Clarisse que descobre uma pequena folha crescendo em seu braço direito.
  O curta ‘‘Morre um Nome’’, de Bárbara Valsézia dos Santos, Dirceu Casa Grande Junior, Guilherme Cantieri Bordoval, Marcos Vinícius Landgraf Dias, Wagner Gonçalves Oliveira e Wagner Munhê com Antonio Maria e Wagner Munhê, será exibido fora da competição.
  Na década de 50, o músico americano Booker Pittman viveu na cidade de Cornélio Procópio, onde se apresentava em zonas de baixo meretrício e, quando sem trabalho, pintava casas. Filme produzido a partir de uma Oficina de Realização em Cinema ministrada pela Kinoarte em maio de 2007 em Cornélio Procópio.
  Depois da exibição de ‘‘Morre um Nome’’ haverá a entrega do prêmio de R$ 5 mil para o Melhor Filme Nacional (Júri), do Prêmio Francelino França de roteiro (R$ 350), prêmio de R$ 500 ao Melhor Filme Londrinense. Além disso serão entregues os Troféus Udihara na Competitiva Londrinense - Melhor Filme (Júri, Público), Direção, Fotografia e Roteiro. Haverá uma festa após a premiação no Bar Valentino, o som fica por conta de Mudcracks (rock) e Lixo Extraordinário (pop rock), a discotecagem é de Indião (jazz).

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