55 ANOS DE REGGAE
Ranulfo Pedreiro
De Londrina
Os cabelos emaranhados em tranças conhecidas como dreadlocks ganhavam o ar enquanto a guitarra marcava insistente o contratempo com um ritmo dançante. Bob Marley foi uma personalidade tão forte no pop/rock que virou lenda. Embalado por concepções rastafaris, vociferou contra a presença européia na África e defendeu países terceiro-mundistas contra o que considerava opressão das nações ricas. Acreditava que a música era instrumento de revolução. Se Bob Marley estivesse vivo, teria completado ontem 55 anos.
Todas essas contingências religião, rebeldia, postura política, paixão pelo futebol, estandarte de um novo gênero, ídolo pop, apologia da ganja (maconha), desapego ao dinheiro e morte prematura garantem o aspecto mitológico conferido a Marley. No centro de Kingston, na Jamaica, foi erigida uma estátua do ídolo, cultuado em seu país de origem quase como um deus.
A idolatria encontra respaldo na música. O reggae se desenvolveu a partir de uma desaceleração do ska. Marley surgiu como uma espécie de carro-chefe do gênero e ganhou reconhecimento internacional. Em pouco tempo, o reggae já influenciava a música brasileira, caribenha, o rock, o punk rock, os estilos dançantes e o jazz. Bob Marley chamou a atenção de nomes como Miles Davis, Rolling Stones, Beatles, David Bowie, Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil e muitos outros. Um leque tão grande que mantém o reggae como uma presença constante na música popular em geral.
Toda essa história se multiplica em fã-clubes, instituições, museus, entidades assistencialistas e uma infinidade de atividades referentes a Bob Marley. Uma simples consulta do nome no Alta Vista Search, na Internet, resulta em mais de 87 mil sites.
Marley nasceu em 6 de fevereiro de 1945. O pai, um militar inglês, foi embora antes do nascimento. A adolescência se deu num gueto de Kingston, onde conheceu parceiros como Peter Tosh. O primeiro grupo, chamado Wailing Wailers, surgiu em 1961. Ainda nos anos 60, o compositor tomou contato com a filosofia rastafari durante a visita de Hailé Salassié, um líder que se dizia descendente de Salomão. A música começa a ganhar terreno no exterior com Catch a Fire, de 1973, disco que teve turnês pelos EUA e Inglaterra. Sua carreira deixou uma série de sucessos memoráveis, como Is This Love?, No Woman No Cry, Them Belly Full e Get Up, Stand Up, entre outros.
A morte começou a rondar Robert Nesta Marley após um ferimento no pé. A ferida infeccionou, médicos sugeriram amputar um dedo alternativa repudiada pelo músico. O problema evoluiu para um câncer que se generalizou. Marley tentou tratamentos naturalistas. A coisa não funcionou e o compositor morreu em maio de 1981 alguns afirmam que a causa mortis foi câncer no cérebro. O que Bob Marley estaria fazendo se estivesse vivo? Provavelmente oposição ao mercado mercenário em que se transformou a música pop.
Para celebrar a data, a MTV está preparando um Fim de Semana Especial, que vai ao ar na sexta-feira às 22 horas. O especial traz depoimentos, clipes e shows. O programa será reprisado sábado, às 13h30 e 20h30, e no domingo, às 17h30.





