Francelino França
De Londrina
A Fundação Bienal de São Paulo quer marcar presença nas comemorações do quinto centenário do Brasil com uma exposição ousada, considerada a maior já realizada no País no setor das artes plásticas. O megaprojeto batizado de ‘‘Brasil 500 Anos Artes Visuais’’ foi orçado em R$ 30 milhões.
O evento contemplará a monumental produção estética visual criada no território brasileiro, desde as culturas indígenas, antes da chegada da esquadra portuguesa ao País até a arte contemporânea. ‘‘Será uma reflexão crítica sobre a nossa identidade’’, resume Edemar Cid Ferreira, presidente da entidade promotora. Essa exposição vem referendar as pesquisas antropológicas sobre a vida cultural brasileira dos nativos, revelando a alma do Brasil.
Metade dos R$ 30 milhões da ‘‘Mostra do Descobrimento’’ será destinada para custear a versão integral do evento em São Paulo, em abril de 2000. A outra metade será para promover sua itinerância pelas capitais brasileiras e também pelo exterior. A previsão de visitantes em todo o mundo é de 10 milhões. A mostra teve seu calendário estendido até 2003.
No exterior, a ‘‘Mostra do Descobrimento’’ iniciará seu percurso por Lisboa e Porto, em Portugal. Depois segue para os principais museus do mundo, entre eles, O Guggenheim Museum, em Nova York e Bilbao, na Espanha. O British Museum em Londres e o Louvre em Paris também terão oportunidade de conhecer mais de 500 anos da nossa produção nas artes plásticas.
No Brasil, 16 capitais estão pré-selecionadas para fazer parte do roteiro itinerante. O evento conta com apoio do Ministério da Cultura. Segundo informa a assessoria de imprensa de ‘‘Brasil 500 Anos...’’, as secretarias estaduais de cultura receberão módulos sintéticos, de acordo com o espaço adequado disponível. Curitiba está entre as capitais e, provavelmente, no final do próximo ano ou início de 2001 receberá parte do acervo.
No total, a exposição abrigará 11 segmentos, sendo que o primeiro, com curadoria de Maria Cristina Mineiro Scatamacchia, resgata nossa arqueologia. O segundo, com curadoria de Lúcia Hussak van Velthem e José Antonio Braga Fernandes Dias, apresenta a invenção nativa das artes indígenas. Emanoel Araújo, diretor da Pinacoteca do Estado, responde pelos módulos ‘‘Negro de Corpo e Alma’’ e, junto de Frederico Pernambuco de Mello, ‘‘Arte Popular’’.
Os outros módulos da exposição são ‘‘Arte Afro-Brasileira’’, ‘‘Arte dos Séculos 17 e 18’’, ‘‘Arte do Século 19’’, ‘‘Imagens do Inconsciente’’, ‘‘Arte do Século 20’’, ‘‘O Olhar Distante’’ e ‘‘Carta de Pero Vaz de Caminha’’, que tem curadoria de Nicolau Sevcenko.
Da época do reinado de D. João VI estarão obras de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, datada de 1770, originária do Museu do Ouro, de Sabará (MG) e dos pintores Vitor Meireles e Almeida Júnior. De Lisboa, Portugal, virá o original da Carta de Pero Vaz de Caminha, o primeiro registro textual europeu sobre o Brasil.
Pontuando a arte visual contemporânea, a megaexposição também abrirá espaço para a arte popular, como as esculturas em madeira dos ex-votos. Dos hospitais psiquiátricos para as galerias de arte, saltam manifestações das mais radicais em se tratando de vanguarda, como as do mundialmente famoso Arthur Bispo do Rosário. Os visitantes ainda poderão conhecer obras de Volpi, Portinari, Oiticica, Segall, Leonilson, entre outros, que fizeram da arte do século XX no Brasil uma das mais vigorosas do mundo.Projeto da Fundação Bienal de São Paulo resgata a arte brasileira, desde as culturas indígenas até a contemporaneidade
Reprodução‘‘Vista da Baía de Guanabara Tomada da Praia do Russel’’ - Charles J.Martin, óleo sobre tela (1850)Reprodução‘‘Santa Madalena’’, escultura em madeira policromada de Francisco Xavier de Brito (século 18)Reprodução‘‘Léo Não Consegue Mudar o Mundo’’ - acrílico sobre lona de Leonilson (1989)Reprodução‘‘Mamoeiro’’, óleo sobre tela de Tarsila do Amaral (1925)Reprodução‘‘Diadema’’ - artesanato dos índios Kaapor (urubú) do Maranhão - penas de japu, arara, pomba, trocal, mutum, anambé azul, fios de algodão, tecido industrializado, fibras vegetais - 14 (largura) x 87 cm (comprimento)

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