50ª Mostra de Teatro da Escola Macunaíma começa amanhã; evento apresentará 29 peças
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segunda-feira, 21 de junho de 1999
Por Beth Népoli 
São Paulo, 22 (AE) - Dois espetáculos, uma montagem com texto na íntegra da peça "As Bruxas de Salem", de Arthur Miller, e "Imoral", uma adaptação das crônicas de "A Vida Como Ela É", de Nélson Rodrigues, abrem amanhã (23) a 50.ª Mostra de Teatro da Escola Macunaíma. Até o dia 15 de agosto, serão apresentadas 29 peças numa programação que envolve cerca de 500 pessoas, entre atores, diretores e técnicos. Ano passado, cerca de 13 mil espectadores passaram pelos três teatros da escola dirigida por Nissin Castiel, que este ano espera um público ainda mais numeroso nos espetáculos. Juntos, os três espaços têm capacidade para 350 espectadores. A entrada é gratuita.
Comemorando 25 anos de existência, a Macunaíma homenageia na edição deste ano o russo Constantin Stanislavski, fundador do famoso "método" de interpretação adotado pela escola. Representante no Brasil da Academia Russa de Arte Teatral (Gitis) a Macunaíma estará trazendo ao Brasil o diretor da academia, o russo Valentin Trepliakov, para ministrar uma oficina de interpretação entre os dias 5 e 16. A participação na oficina também é gratuita e as aulas serão ministradas para 20 alunos da escola e podem ser acompanhadas por 50 atores/ouvintes. As inscrições já estão abertas, devem ser feitas na escola e encerram-se quando acabarem as vagas.
Em janeiro deste ano, 4 professores e 16 alunos da Macunaíma viajaram para a Rússia, onde fizeram estágio de um mês na Gitis. "A vinda de Trepliakov dá continuidade a esse intercâmbio", afirma Castiel. O curso de formação de atores da escola tem três anos de duração e, a partir do segundo ano, cada turma vai realizar duas montagens por semestre. Portanto, todos os espetáculos da mostra são realizados por alunos e professores e atraem um público bastante heterogêneo, que não raro fazem seu primeiro contato com o teatro. "Ano passado, realizamos uma pesquisa por meio da qual descobrimos que metade do público não tinham o hábito de ir ao teatro", conta Castiel.
A mostra oferece uma oportunidade cada vez mais rara tanto na formação de atores quanto da platéia: o contato com grandes textos da dramaturgia na íntegra, já que as dificuldades de produção - principalmente no que diz respeito à exigência de um numeroso elenco - vêm impossibilitando montagens dessas peças no circuito profissional. Peças - Entre outras, passarão pelos palcos da Macunaíma "Rumo a Damasco", de August Strindberg; "A Casa de Bernarda Alba", de Federico Garcia Lorca; "Terror e Miséria do Terceiro Reich"
de Bertolt Brecht; "O Berço do Herói", de Dias Gomes; e "Arlequim, Servidor de Dois Amos", de Goldoni. E adaptações como "Fragmentos" de Jorge Andrade, uma colagem de cenas de várias peças do autor paulista ou "Em Busca dos Moinhos de Vento", adaptação do romance "Dom Quixote" do espanhol Miguel de Cervantes. Exercício - As adaptações orientam-se por um duplo objetivo. Em primeiro lugar, permitir o pleno exercício de todos os alunos/atores. "Não podemos subir no palco pedindo desculpas", argumenta Castiel. "Cada espetáculo deve ser bem realizado, aproveitando ao máximo as possibilidades dos atores e nem sempre isso é possível na dramaturgia tradicional". Outro objetivo, segundo Castiel, está na conquista do público. "A cada ano aumentam as filas nos teatros da escola e as adaptações facilitam a aproximação de um público não iniciado, o que consideramos importante, uma vez que a escola tem sido responsável também por uma formação de platéia".
As duas peças que abrem a Mostra - "As Bruxas de Salem" e "Imoral" - foram escolhidas de forma a representar as duas vertentes da programação: texto na íntegra, na primeira, e adaptação, na segunda. Além disso, serão interpretadas por alunos que se formam este ano pela escola. Laura Lucci dirige a peça de Arthur Miller, que se serviu de um fato real, a perseguição a adolescentes acusadas de bruxaria no século 17, para falar da "caça aos comunistas" ocorrida nos Estados Unidos durante a Guerra Fria.
Alex Capeloso, o mais antigo professor da escola pela qual se formou há 12 anos, é responsável pela adaptação e direção de "Imoral", que tem como cenário uma vila de subúrbio
onde transitam personagens rodrigueanos. Fundada em 1974 pelo cenógrafo Flávio Império, pela atriz Miriam Muniz e pelo ator Silvio Zilber, a Macunaíma prepara-se para presentear a cidade com mais três casas teatrais em dezembro. "Estamos reformando os cinco galpões de uma antiga marcenaria", adianta Castiel. Serviço - "50ª Mostra de Teatro Macunaíma - 25 Anos de Stanislavski no Brasil". Apresentação de 29 peças. De segunda a domingo, às 19 horas e 21 horas. Grátis (retirar ingressos com uma hora de antecedência). Teatro Escola Macunaíma. Rua Adolfo Gordo, 238, São Paulo. Fone. 3667-0807. Até 15/8


