50 Cent de volta ao Brasil
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segunda-feira, 05 de julho de 2010
Jotabê Medeiros<br>Agência Estado 
50 Cent está animado com a sua volta ao Brasil, este mês. Expoente daquilo que se convencionou chamar ''gangsta rap'' nos anos 1990, 50 Cent diz que lamenta não ter tido tempo de interagir com os brasileiros da última vez que esteve aqui, em 2004 (tocou no Estádio do Pacaembu), e quer melhorar essa imagem. Tem bastante tempo agora: vai passar por Salvador (dia 9, no Wet n' Wild), Goiânia (dia 10, na Fasam), São Paulo (dia 15, no Via Funchal), Belo Horizonte (dia 16, no Mineirinho), Rio (Marina da Glória, dia 17) e Florianópolis (dia 18, Passarela Nego Querido).
É a turnê de promoção do disco ''Before I Self Destruct'' (2009), no qual ele voltou a fazer músicas ao estilo ''nitroglicerina pura'' que o consagrou com canções ao estilo ''Death to My Enemies'', cujo nome diz tudo.
Segundo 50 Cent, a queda em 20% das vendas de discos de hip hop no ano passado não se deve a uma crise do gênero, mas a diversos fatores. ''Para mim, o que parece mais evidente é que a mudança tecnológica alterou consideravelmente o cenário. Os garotos que querem ouvir sua música baixam diretamente da internet. E as empresas que tinham dados confiáveis sobre o mercado hoje não conseguem medir o tamanho desse negócio. A segunda coisa é que o hip hop hoje enfrenta outros gêneros populares, e o crescimento do R&B, da música latina, tudo isso contribuiu para reduzir o espaço. Mas o hip hop continua forte e influente, e representando o discurso da juventude''.
50 Cent é o codinome de Curtis Jackson 3º, um norte-americano do subúrbio de Jamaica Queens, em Nova York, cuja adolescência foi das mais problemáticas. Chegou a ser traficante de crack e cocaína, foi preso algumas vezes e levou nove tiros, sobrevivendo por milagre. ''Eu sinto como se tivesse uma razão a mais para viver'', diz. Sua música sempre foi marcada por esse testemunho de violência e superação. E por ''tretas'' públicas com astros concorrentes, como The Game, Ja Rule e Fat Joe.
Mas, há alguns anos, Fifty subitamente mudou o discurso, começou a ficar mais pop e deglutível. O disco ''Curtis'' (2007) foi o ponto mais alto dessa transformação. Ele virou um businessman de sucesso, com negócios fashion na grife G-Unit e jogadas imobiliárias. ''Eu me deixei levar pelas exigências de marketing e isso não me fez bem. Esse novo disco é um retorno ao 50 Cent original'', garante.
De fato, ''Before I Self Destruct'' é mais sombrio e violento mas o rap de playboy ainda dá a tônica, com facilidades como ''Baby By Me'' (no qual divide os vocais com Neyo). Há também hits de rádio muito calculadinhos, como ''Bitch'', remix dividido com Too Short.
A combinação de estratégias trouxe 50 Cent de volta às paradas - certamente, nunca mais para ocupar um posto semelhante ao que teve quando lançou o primeiro álbum, Get Rich or Die Tryin' (Fique Rico ou Morra Tentando), que vendeu mais de 10 milhões de exemplares.


