50 anos de rock
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Nelson Sato <br>Reportagem Local 
A história do rock em Londrina começou com um programa de rádio, o ''Festival de Rock'', produzido e apresentado por Jurandir Panza (morto em 1973) na Rádio Paiquerê e posteriormente na Rádio Clube. A afirmação é do pesquisador Ricardo Abe, que há mais de uma década investiga a produção e difusão de música jovem na região.
Nesta quinta-feira, ele apresenta a exposição ''50 anos de rock em Londrina'' no Teatro Zaqueu de Melo, reunindo uma coleção de fotos representativas de fatos emblemáticos do percurso desse gênero musical no município. A abertura será às 19h30 com shows das bandas Vírus do Ipiranga e Surface, além da cantora gospel Bettina França acompanhada pela banda Entre Aspas. A entrada é franca.
A série fotográfica transporta o observador para o túnel do tempo conduzindo-o ao encontro, por exemplo, de Dalva Vernillo, vencedora do concurso ''Rainha do rock'', que Panza promoveu em 1962 em seu lendário programa radiofônico. ''Nessa época, o programa era feito ao vivo e com auditório. Dalva era presidente do fã-clube do Elvis Presley na cidade. A cantora Celly Campelo e seu irmão Tony Campello vieram de São Paulo especialmente para coroá-la'', conta Abe.
O painel fotográfico lembra ainda os ecos locais de manifestações como a Jovem Guarda, o festival de Woodstock, o movimento punk e o rock dos anos 80, além de destacar a cena indie-universitária londrinense dos anos 90 e o festival local Demo Sul. O controverso ponto de chegada de seu recorte é o ''rock gospel'', representado no evento pela cantora Bettina França.
''Londrina conta com uma tradição, uma produção contínua na área do rock. A cidade sempre acompanhou as diversas tendências mundiais, ainda que às vezes sem muita visibilidade, com bandas tocando na surdina e no underground. É uma saga sempre renovada'', salienta Abe. De acordo com o pesquisador, a ''linha evolutiva'' dessa trajetória desemboca no emergente rock gospel.
''É um estilo diferenciado que vem crescendo na região, canalizado pela nova geração e que tem se difundido dentro de novas igrejas. Já constatei a existência de pelo menos 15 bandas entre Londrina e Cambé, algumas com CDs gravados'', assinala. Para Abe, Bettina França é a ''princesa do rock gospel''.
Ela começou a cantar aos 9 anos nas igrejas pentecostais. Aos poucos, foi introduzindo um estilo mais pop às canções de letras com temática cristã. Em uma década, lançou 6 CDs e 3 DVDs. No ano passado, gravou o CD ''Menina dos Olhos de Deus'', seu primeiro trabalho no segmento rock gospel.
Elencá-la no show de amanhã, ao lado das bandas Vírus do Ipiranga e Surface, é uma forma de apresentá-la ao público secular. Vírus do Ipiranga, por sua vez, foi escalada como uma representante do rock dos anos 80. Geraldo Brandão (vocal), Rei (guitarra), Marcos Stuchi (contrabaixo) e Toninho (bateria) fundaram o grupo em 1988 dispersando-se na década seguinte.
Em julho deste ano, seus integrantes originais foram reaglutinados para um show revival (também idealizado por Ricardo Abe) ao lado de outras bandas da época como Pequena Londres, Refugiados e Femme Fatalle. O Surface, por fim, estará presente no palco por sua importância histórica. ''A banda está comemorando 15 anos de existência'', lembra o pesquisador.
''Eduardo Cientista, seu fundador, é um dos pioneiros do punk em Londrina. Fez parte das bandas Desordem & Regresso e Hard Money e montou o Surface que, apesar das mudanças de integrantes, sempre manteve a mesma formação com três meninas e dois rapazes. É um incansável.''
O adjetivo poderia ser aplicado também ao próprio idealizador do evento. Em 2000, ele pesquisou os primórdios do rock em Londrina e publicou o livro ''Ala Jovem - Retrato de um Movimento''.
Serviço:
- Exposição e show ''50 Anos de Rock em Londrina''
Quando - Amanhã às 19h30
Onde - Teatro Zaqueu de Melo (Av. Rio de Janeiro, 413), em Londrina
Quanto - Gratuito
Informações - (43) 3327-4879 ou [email protected]


