Quem recebe os cumprimentos hoje à noite é a atriz curitibana Odelair Rodrigues, que aos 66 anos de idade completa meio século de vida artística. A homenagem é uma iniciativa do artista Luiz Arthur Montes Ribeiro, através da Telepar Brasil Telecom. No início da festa, haverá bate-papo sobre teatro entre a atriz e seus convidados.
‘‘Estou muitíssimo feliz. É importante que homenagens como esta sejam feitas enquanto o artista está vivo’’, diz Odelair, com seu tradicional bom humor. Realista, ela agradece a comemoração, mas avisa que não pode ‘‘parar de correr atrás’’ e nem de trabalhar. ‘‘Preciso estar sempre me atualizando’’, afirma.
Com fôlego de iniciante, ela conta que acabou de dizer sim para quatro montagens teatrais paranaenses que serão realizadas ainda neste ano, além de um longa-metragem. Odelair comenta que quando iniciou na profissão não havia faculdade e nem mesmo escola de artes cênicas na cidade. ‘‘Sempre fui autodidata’’, comenta.
Em 50 anos de atividades, Odelair destaca um trabalho seu como o mais importante e inesquecível: ‘‘Foi o primeiro, ‘Sinhá Moça Chorou’, dirigido por Ary Fontoura’’, explica. ‘‘Foi o espetáculo que me deu a oportunidade de sair do teatro amador do colégio e passar a ser atriz profissional’’, lembra. Isso foi em 1952.
Meses antes, sua trajetória teve início no Grupo Escolar Xavier da Silva, quando encenou ‘‘Quem quiser Vatapᒒ, de Dorival Caymmi. No mesmo ano, fez um pequeno papel em ‘‘Rosas de Nossa Senhora’’.
Ao lado do curitibano Ary Fontoura, Odelair interpretou Jovina, em ‘‘Nada’’; Inézia, em ‘‘Mulher Sem Pecado’’; Djanira, em ‘‘A Família do Linhares’’; Bruxa, em ‘‘O Chapeuzinho Vermelho’’; Geraldina, em ‘‘O Homem que Nasceu Duas Vezes’’. Por este papel, recebeu menção honrosa de ‘‘Rádio em Revista’’.
Quando indagada sobre qual dos veículos prefere na hora de atuar, ela diz que adora o rádio, a televisão e o teatro da mesma forma. ‘‘Gosto mesmo é de representar’’, avisa. Mas pensando bem, confessa ela, ‘‘ainda prefiro o palco, pois foi onde comecei’’.
Entre suas centenas de atuações, destaca-se o espetáculo ‘‘É Proibido Suicidar-se na Primavera’’, em 1954, em que fez o papel de Dama Triste. Seguiram-se ‘‘Uma Mulher do Outro Mundo’’, no Teatro de Bolso de Curitiba da Praça Rui Barbosa; ‘‘Massacre’’, ‘‘Revistas’’, ‘‘Fofoca no Paralᒒ’ e ‘‘Não Me Lote Brasilino’’. Além das peças ‘‘Amado Tarado’’, de Maurício Távora, e ‘‘Ela Só É Society’’ e ‘‘Nega de Maloca’’, de Cícero Camargo de Oliveira.
Com a Companhia de Roberto Menguini fez ‘‘Oração para uma Negra’’, de William Faulkner’’. Em 1978, com o elenco de comédia de Maurício Távora trabalhou em ‘‘De Cabo a Rabo’’, do próprio Távora. Em 1979, pelo Teatro de Comédia do Paraná, atua em ‘‘O Contestado’’, de Romário Borelli. Em seguida, participa da leitura pública de ‘‘Com o Rabo entre as Pernas’’.
Nos anos 80, encenou ‘‘A Cantora Careca’’, de Ionesco, no Teatro da Classe. No mesmo local, mais tarde, veio ‘‘Ó Curitiba Nossa Tribo Salve Salve’’, de Marinho Galera e Paulo Vítola, com direção de Maurício Távora.
Odelair Rodrigues já gravou também seu nome no cinema nacional, participando de filmes como ‘‘Lance Maior’’ e ‘‘Entardecer da Ilusões’’. Na TV, atuou em programas humorísticos com Ary Fontoura, além das novelas ‘‘Escrava Isaura’’, ‘‘Estranha Melodia’’, ‘‘Vida Roubada’’, ‘‘Direito de Nascer e ‘‘Era uma Vez...’’.
Em sua galeria de prêmios, estão os troféus de Melhor Atriz nos anos de 1956, 1977 e 1979. Recebeu ainda os prêmios ‘‘Bicho do Paranᒒ, em 1990, e ‘‘Curumins’’, pelo ‘‘Direito de Nascer’’ e pelos cinco anos de Canal 6.
Sempre em ritmo acelerado de produção, nos anos 90, Odelair trabalhou nos espetáculos ‘‘O Palácio dos Urubus’’, ‘‘O Cerco da Lapa’’, ‘‘Oizintocáveis’’ e ‘‘Frankenstein’’, além de vários comerciais de televisão. Sua mais recente atuação, meses atrás, foi na comédia ‘‘Bom Dia Dinossauro’’, de Enéas Lour.
Espírita, Odelair Rodrigues faz parte ainda do elenco de teatro da Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e garante se sentir ‘‘muito feliz e com muito gás’’ ao completar meio século de palco. ‘‘Se fosse preciso, faria tudo outra vez’’, garante.
Os 50 anos de carreira de Odelair Rodrigues serão comemorados hoje no Espaço Arte e Cultura Telepar Brasil Telecom (Avenida Manoel Ribas 115, Mercês – Curitiba). Das 18h30 às 19h30, haverá bate-papo com a atriz e convidados. Das 20 às 22 horas será realizada uma homenagem.

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